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15/Jul/2026

Frete Rodoviário: preço sobe com escassez de frota

Segundo o relatório Frete Insights, da Frete.com, que acompanha o mercado spot de transporte rodoviário de cargas no País, o preço médio do frete rodoviário no Brasil avançou 20% no segundo trimestre de 2026 na comparação com igual período de 2025, atingindo novo recorde, mesmo diante de uma retração de 22% no volume nacional de cargas. Os dados indicam que a disponibilidade de caminhões e motoristas passou a exercer maior influência sobre a formação das tarifas do que o comportamento do diesel. O Índice Frete.com de Preços (IFP) registrou alta de 5,3% em relação ao primeiro trimestre de 2026 e encerrou junho com avanço mensal de 3,3%, mantendo a tendência de valorização observada nos últimos trimestres.

A dinâmica de formação dos preços apresentou mudança ao longo do período. Enquanto o diesel acumulou alta de 14% na comparação anual, o preço médio do frete avançou 21%, reduzindo a participação do combustível como principal fator de pressão sobre as tarifas. O desequilíbrio entre oferta e demanda por caminhões, principalmente nos corredores de escoamento do agronegócio, passou a ser determinante para a valorização dos fretes, sustentando os preços mesmo em um cenário de menor movimentação de cargas. Todas as regiões registraram retração no volume de fretes durante o segundo trimestre, mas a Região Sudeste ampliou sua participação no mercado nacional, passando de 39% para 43% do volume movimentado.

As Regiões Sul e Norte apresentaram as maiores quedas, ambas de 34%. A concentração também foi observada na distribuição estadual. São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso responderam por 52% de todo o volume de fretes registrado pela plataforma, reforçando a relevância dos corredores que conectam o parque industrial do Sudeste às regiões produtoras do Centro-Oeste. O agronegócio permaneceu como principal segmento do transporte rodoviário brasileiro, com participação de 42,9% no volume total de fretes registrados no trimestre. Mesmo com a retração dos negócios, o setor continuou concentrando os principais corredores de movimentação da produção nacional.

A pressão sobre as tarifas foi mais intensa nas rotas relacionadas ao agronegócio. Entre os principais destaques na comparação com o segundo trimestre de 2025 estão o corredor Nova Mutum (MT) - Imbituba (SC), com alta de 72,3%, Barro Alto (GO) - Laranjeiras (SE), com valorização de 49,2%, e Campo Verde (MT) - Paranaguá (PR), com aumento de 48,6%. O Frete Insights também identificou os principais gargalos logísticos do País. O corredor Coromandel (MG) - Santos (SP) apresentou o maior desequilíbrio entre oferta e demanda, com 6,96 cargas disponíveis para cada caminhão. Na sequência aparecem Porto dos Gaúchos (MT) - Rondonópolis (MT), com 5,11 cargas por veículo, e Luz (MG) - Santos (SP), com 4,56 cargas disponíveis para cada caminhão.

Os maiores gargalos permanecem concentrados nas rotas de escoamento da produção agropecuária em direção aos principais portos brasileiros. Em contrapartida, alguns corredores com destino aos portos da Região Sul já apresentam maior disponibilidade de caminhões em relação ao volume de cargas, reduzindo a pressão sobre as tarifas nessas operações. Além da avaliação por corredores logísticos, o levantamento indica que Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo lideram o indicador de carga por caminhão, refletindo maior pressão sobre a capacidade de transporte nesses Estados. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.