14/Jul/2026
O mercado brasileiro de fertilizantes deverá registrar retração de 14% em 2026, com as entregas recuando para cerca de 42 milhões de toneladas, redução aproximada de 7 milhões de toneladas em relação ao ano anterior. A perspectiva reflete a combinação de margens historicamente comprimidas para os produtores de grãos, elevação dos preços dos fertilizantes e aumento das incertezas provocadas pela escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio, que voltaram a pressionar o mercado internacional de insumos. A deterioração das relações de troca entre commodities agrícolas e fertilizantes figura entre os principais fatores para a redução da demanda. Com preços da soja em níveis menos remuneradores e custos elevados de produção, muitos produtores tendem a reduzir ou postergar investimentos em adubação, comprometendo o ritmo de reposição de nutrientes e limitando o potencial de crescimento do mercado de fertilizantes.
O cenário é agravado pelo aumento do custo do crédito e pela maior restrição ao financiamento da atividade agrícola, fatores que reduzem a capacidade de compra dos produtores. A avaliação é que o fortalecimento de mecanismos de apoio ao produtor rural será determinante para preservar os investimentos no setor. Entre as medidas consideradas prioritárias estão a ampliação do acesso ao crédito, instrumentos de estabilização da renda agrícola e maior previsibilidade financeira, especialmente em regiões que enfrentam sucessivas perdas climáticas, como o Rio Grande do Sul. A manutenção da rentabilidade é considerada condição essencial para sustentar o nível de investimento necessário à continuidade da expansão da produção agrícola brasileira. No médio e longo prazos, a indústria identifica oportunidades ligadas à transição energética e à produção de fertilizantes de menor intensidade de carbono.
O crescimento do etanol de milho, dos combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) e do uso de biometano poderá contribuir para reduzir o custo da produção nacional de amônia e fertilizantes nitrogenados. Entretanto, a expansão dessa cadeia depende de avanços regulatórios e de investimentos em infraestrutura logística, especialmente na ampliação da rede de transporte de biometano. Sem a criação de um ambiente regulatório capaz de estimular novos investimentos, a dependência brasileira de fertilizantes importados deverá permanecer elevada, mantendo o setor exposto às oscilações do mercado internacional, às restrições logísticas e aos riscos geopolíticos. Mesmo iniciativas de retomada da produção doméstica de nitrogenados enfrentam desafios relacionados ao elevado custo do gás natural, fator que reduz a competitividade da indústria nacional frente aos produtos importados. Fonte: The AgriBiz. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.