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13/Jul/2026

Minerais Críticos: retorno da Petrobras gera debate

A possibilidade de a Petrobras retomar atividades no setor de mineração, mais de três décadas após a extinção da Petromisa, reacendeu o debate sobre o papel da companhia na economia brasileira e sua atuação em minerais considerados estratégicos para a transição energética. Após o Congresso Nacional rejeitar a criação da Terrabras, integrantes do governo passaram a avaliar a Petrobras como alternativa para liderar projetos voltados à exploração de terras raras, potássio e urânio, com o objetivo de reduzir a dependência brasileira de importações desses insumos. O tema ganhou força após manifestações da presidente da Petrobras em defesa da ampliação da atuação da companhia em minerais críticos. A discussão remete à experiência da Petromisa, subsidiária criada após a descoberta de jazidas de potássio em Sergipe durante atividades de pesquisa da Petrobras e extinta em 1990. Os defensores da iniciativa argumentam que a estatal dispõe de capacidade financeira, conhecimento geológico e experiência na execução de grandes projetos para acelerar o desenvolvimento de reservas estratégicas.

Em contrapartida, críticos avaliam que a diversificação para a mineração pode desviar recursos do segmento de petróleo e gás, ampliar a influência política sobre a companhia, exigir alterações em seu estatuto social e gerar questionamentos relacionados à governança corporativa. A avaliação de especialistas aponta que uma eventual participação da Petrobras na cadeia de minerais críticos poderia ser mais eficiente em segmentos com maior sinergia com seus negócios atuais, como fertilizantes, produção de amônia, ureia, potássio e fosfato, sistemas de armazenamento de energia, grafita sintética, pesquisas geológicas offshore, tecnologias de processamento, reciclagem, logística e infraestrutura, além de investimentos minoritários em consórcios ou fundos estratégicos. Também é destacado que a companhia deveria preservar sua condição de empresa integrada de energia, evitando ampliar excessivamente seu escopo de atuação.

Do ponto de vista jurídico, especialistas observam que uma eventual entrada na mineração de potássio exigiria alteração do estatuto social da Petrobras, decisão de competência da Assembleia Geral de Acionistas, além da demonstração de interesse público e viabilidade econômica pela União, conforme estabelece a Lei das Estatais. No caso do urânio, a atuação é considerada mais compatível com o objeto social atual da empresa, por estar relacionada à produção de energia. Também há avaliações de que a decisão deverá ser fundamentada em estudos econômicos e financeiros consistentes para evitar oscilações estratégicas decorrentes de mudanças de governo e assegurar o atendimento às exigências de governança impostas aos acionistas minoritários, à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e ao Tribunal de Contas da União (TCU).

Entre os críticos, a ampliação das atividades da Petrobras para a mineração é vista como um movimento distante das tendências observadas no mercado internacional, com potencial para reduzir a atratividade da companhia para investidores e comprometer investimentos em seu principal negócio. Há ainda a avaliação de que o Brasil dispõe de reservas relevantes de terras raras, mas que a Petrobras não possui experiência operacional específica nesse segmento. Em sentido oposto, representantes do setor nuclear e especialistas em energia avaliam que a Petrobras reúne conhecimento geológico, capacidade financeira e competência técnica para desenvolver projetos de exploração mineral, especialmente de urânio, considerado estratégico para a expansão da geração nuclear. Também defendem que a diversificação para minerais críticos pode fortalecer a atuação da empresa na transição energética, ampliar a integração de seu portfólio e contribuir para a segurança energética, a competitividade industrial e a geração de valor no longo prazo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.