10/Jul/2026
As compras de fertilizantes para a safra 2026/27 seguem abaixo do ritmo histórico no mercado brasileiro em meio às incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio, elevando o risco de gargalos logísticos e de distribuição nos próximos meses. O represamento das aquisições poderá concentrar a demanda em um curto período, pressionando a capacidade operacional da cadeia de suprimentos, especialmente diante da elevada dependência brasileira de insumos importados. Segundo avaliação da Massari Fértil e Morro Verde, o atual ritmo lento de comercialização pode resultar em forte concentração das entregas quando os produtores retomarem as compras. Como aproximadamente 85% dos fertilizantes consumidos no Brasil são importados, o setor permanece exposto aos impactos de conflitos geopolíticos, restrições na logística internacional e oscilações cambiais, fatores que ampliam os riscos para o abastecimento.
A volatilidade do mercado de fertilizantes, iniciada durante a pandemia de Covid-19 e intensificada posteriormente pelos conflitos entre Rússia e Ucrânia e, mais recentemente, pela escalada das tensões no Oriente Médio, reforça a necessidade de reduzir a dependência externa do País. A avaliação é de que a normalização do cenário geopolítico, por si só, não resolverá os desafios estruturais da cadeia de suprimentos, tornando necessária a diversificação das fontes de fornecimento e o fortalecimento da produção doméstica. Nesse contexto, a expansão da produção nacional de fertilizantes é apontada como uma das principais alternativas para reduzir a vulnerabilidade do agronegócio brasileiro. A estratégia ganha relevância em um momento em que outros países também buscam ampliar sua autossuficiência.
No início do mês, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou a criação do Programa de Investimento e Expansão da Produção de Fertilizantes para o Abastecimento Doméstico de Longo Prazo (Fields), que destinará US$ 500 milhões à construção e ampliação de unidades produtoras no País. Além do fortalecimento da indústria nacional, o setor defende a adoção de um modelo agronômico mais adaptado às condições da agricultura tropical, com maior utilização de minerais brasileiros e foco na construção de reservas de fertilidade dos solos. A proposta inclui ainda maior agilidade nos processos de licenciamento ambiental, investimentos em infraestrutura logística e ampliação dos recursos destinados à inovação.
As perspectivas de fortalecimento do fenômeno El Niño também ampliam as preocupações do setor. A maior variabilidade climática tende a aumentar a importância do manejo nutricional das lavouras como ferramenta de mitigação de riscos, exigindo planejamento mais eficiente na aquisição e utilização dos fertilizantes para maximizar o retorno agronômico. Para atender à expansão da demanda, a Massari Morro Verde ampliou sua capacidade anual de produção de 500 mil toneladas para 1 milhão de toneladas, com previsão de alcançar 2 milhões de toneladas ainda neste ano. Atualmente, a empresa possui contratos para produção de 450 mil toneladas de calcário e cerca de 400 mil toneladas de fertilizantes fosfatados. Em 2025, o volume comercializado foi de 250 mil toneladas de fósforo e 250 mil toneladas de calcário. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.