ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

09/Jul/2026

Insumos: Grupo Lavoro tenta manter RJ no Paraná

O Grupo Lavoro recorreu ao Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) para tentar manter em Curitiba a discussão sobre a proteção judicial e o pedido de recuperação judicial da companhia. Em agravo de instrumento protocolado na terça-feira (07/07) e distribuído nesta quarta-feira (08/07), a distribuidora de insumos agrícolas pede que o tribunal reconheça a competência da 2ª Vara Estadual de Falências e Recuperação Judicial de Curitiba para conduzir o caso. A disputa envolve a definição do juízo responsável pelos próximos passos da reestruturação da empresa: Paraná ou São Paulo. A Lavoro sustenta que seu principal estabelecimento hoje está em Ponta Grossa (PR), onde estariam concentrados o comando da companhia, parte relevante da operação e o maior volume de negócios.

A decisão contestada no recurso, porém, entendeu que o caso deveria ficar com a Justiça paulista, responsável pela homologação, em novembro do ano passado, do plano de recuperação extrajudicial anterior da companhia. A Lavoro tenta garantir que o pedido de proteção contra cobranças e execuções de credores seja analisado no Paraná. Esse tipo de medida, chamada no processo de tutela cautelar antecedente, antecede a recuperação judicial e busca dar fôlego temporário à empresa enquanto ela negocia com credores. Na petição, a defesa da Lavoro afirma que "o principal estabelecimento do Grupo Lavoro é hoje, inequivocamente, Ponta Grossa/PR". Para a companhia, essa regra deve prevalecer sobre a chamada prevenção do juízo paulista.

A tese da empresa é que a homologação da recuperação extrajudicial em São Paulo não obriga a permanência de todos os processos futuros no mesmo foro, caso o centro real de comando e operação tenha sido transferido. A companhia também tenta afastar a leitura de que a mudança para o Paraná seria apenas uma manobra para escolher um foro mais favorável. Segundo a petição, a reorganização operacional já vinha ocorrendo antes da nova disputa judicial e está ligada ao corte de custos e à tentativa de preservar as unidades mais rentáveis. A defesa afirma que as lojas fechadas "custavam de 2 a 3 vezes mais do que as lojas que serão mantidas" e respondiam por 84% do prejuízo operacional da companhia. O recurso informa ainda que a Lavoro projeta manter 13 lojas, todas no Paraná, operando ao lado da sede em Ponta Grossa.

No quadro apresentado pela empresa, o Paraná aparece com R$ 1,051 bilhão em faturamento na safra 2024/25 e R$ 410,5 milhões em 2025/26, enquanto São Paulo aparece com R$ 456,6 milhões e R$ 49,4 milhões, respectivamente, nos mesmos períodos. A companhia também diz que, após a desmobilização de unidades, os 350 funcionários e colaboradores projetados ficarão concentrados no Paraná. A discussão sobre o foro ocorre em meio a uma nova frente de pressão de credores. O Valor Econômico noticiou nesta quarta-feira (08/07) que a UPL, uma das maiores credoras da Lavoro, com cerca de R$ 372 milhões em créditos, acionou a Justiça de São Paulo para obter documentos e esclarecimentos sobre operações societárias realizadas após a homologação do plano de recuperação extrajudicial.

Segundo a reportagem, a multinacional indiana sustenta que a reorganização teria reduzido o valor e a liquidez de garantias vinculadas a contratos com a companhia. As alegações ainda serão analisadas pela Justiça. No agravo ao TJ-PR, a Lavoro afirma que sua reorganização não representa "mera substituição de comando", mas uma mudança operacional voltada à preservação das atividades. A companhia diz que concentrou a estrutura nas unidades consideradas mais relevantes e que São Paulo deixou de ser o centro econômico da operação brasileira de distribuição de insumos. A discussão ocorre em um momento de forte reorganização da Lavoro.

Criada pelo Pátria Investimentos em 2017 para consolidar o mercado de distribuição de insumos agrícolas, a companhia fez mais de 20 aquisições, abriu capital na Nasdaq em 2023 e passou a enfrentar deterioração financeira a partir de 2024. No ano passado, a empresa obteve a homologação de um plano de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de R$ 2,5 bilhões em dívidas com fornecedores. Neste ano, a Lavoro deixou a Nasdaq e transferiu a condução da operação de distribuição de insumos no Brasil para a Arcos Gestão e Investimento (AGI), gestora especializada em empresas em situação de estresse financeiro. No recurso ao TJ-PR, a Lavoro pede efeito ativo, uma decisão imediata que restabeleceria a competência da vara especializada de Curitiba antes do julgamento final do agravo pelo colegiado. O processo foi distribuído à 17ª Câmara Cível do TJ-PR e aguarda despacho inicial. Fonte: Broadcast Agro.