09/Jul/2026
A retomada das tensões entre Estados Unidos e Irã voltou a impulsionar as cotações internacionais do petróleo, ampliando a pressão sobre o mercado de combustíveis. Após o fim do cessar-fogo e a retomada das sanções norte-americanas ao petróleo iraniano, a commodity registrou alta superior a 6% nesta quarta-feira, ultrapassando US$ 78,00 por barril. O movimento ocorre poucos dias depois de o governo brasileiro retirar a subvenção sobre o preço do diesel e avaliar a suspensão do subsídio também para a gasolina. Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), para que os preços praticados pela Petrobras alcancem a paridade de importação (PPI), seria necessário reajuste de R$ 1,14 por litro no diesel e de R$ 0,63 por litro na gasolina. Com base nos preços de fechamento da terça-feira, a defasagem do diesel alcançava 35%, enquanto a da gasolina era de 24% em relação ao mercado internacional.
Na Refinaria de Mataripe, na Bahia, que adota política alinhada à paridade internacional, o preço do diesel encontrava-se 7% acima da referência externa, enquanto a gasolina era comercializada com prêmio de 16% sobre o mercado internacional. O petróleo Brent chegou a superar US$ 126,00 por barril em abril, mas recuou após o acordo que reduziu temporariamente as hostilidades no Oriente Médio em junho. A retomada do conflito voltou a elevar a volatilidade do mercado, intensificada pelos ataques a embarcações no Estreito de Ormuz, corredor estratégico responsável pelo transporte de aproximadamente 20% do petróleo exportado mundialmente. De acordo com análise da StoneX, o mercado permanece concentrado nos riscos relacionados à oferta global de petróleo. Além das tensões no Golfo Pérsico, a continuidade dos ataques contra a infraestrutura logística da Rússia também contribui para sustentar os preços internacionais em patamares elevados.
Os recentes ataques dos Estados Unidos contra alvos militares iranianos, seguidos por ações do Irã contra bases militares norte-americanas no Bahrein e no Catar, ampliaram as preocupações do mercado quanto à continuidade dos fluxos de petróleo e derivados na região. O anúncio do presidente dos Estados Unidos sobre o encerramento do memorando de entendimento e do cessar-fogo com o Irã também elevou os riscos percebidos pelos agentes do mercado. Já há registros de embarcações alterando rotas de navegação após os ataques, além do cancelamento, por alguns países asiáticos, de compras de petróleo iraniano negociadas durante o período de suspensão das sanções. Outro fator de sustentação das cotações é a continuidade das ofensivas da Ucrânia contra ativos logísticos estratégicos da Rússia. Entre os alvos recentes está o porto de Ust-Luga, um dos principais terminais utilizados para exportação de petróleo russo, reforçando as preocupações com possíveis restrições adicionais à oferta global da commodity. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.