06/Jul/2026
Segundo expectativa da Câmara Setorial de Máquinas Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a indústria brasileira de máquinas e implementos agrícolas deverá registrar retração entre 15% e 20% nas vendas em 2026, na comparação com 2025. A estimativa representa uma revisão em relação à projeção anterior, que indicava queda de aproximadamente 8%, refletindo a continuidade do ambiente desfavorável para o setor. A revisão será analisada pela Câmara Setorial durante reunião destinada a avaliar os impactos do Plano Safra 2026/27 sobre o mercado. O cenário permanece desafiador e não há sinais de recuperação consistente da demanda ao longo do segundo semestre. O desempenho do segmento continua sendo afetado pela baixa rentabilidade da atividade agrícola, principalmente entre os produtores de soja e milho.
Além da pressão exercida pelos preços das commodities, o comportamento do câmbio também reduz a competitividade das exportações, limitando a capacidade de investimento dos produtores na renovação do parque de máquinas. O Plano Safra 2026/27 manteve estrutura semelhante à do ciclo anterior, sem alterações relevantes capazes de estimular a recuperação das vendas. Embora os recursos destinados ao Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota) tenham sido reduzidos de R$ 12,5 bilhões para R$ 5,8 bilhões, as taxas de juros caíram para 11,5% ao ano nas operações do Pronamp e para 12,5% ao ano nas linhas destinadas aos demais produtores e cooperativas. Parte dessa redução deverá ser compensada pelos recursos da nova linha Move Agricultura, que contará com R$ 10 bilhões para financiar máquinas e implementos agrícolas com tecnologia nacional.
As operações serão conduzidas por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), com taxa de juros de 9,2% ao ano. Em maio, a receita líquida de vendas da indústria de máquinas e implementos agrícolas somou R$ 4,59 bilhões, queda de 31% em relação ao mesmo mês de 2025. No mercado interno, a receita líquida alcançou R$ 3,93 bilhões, retração de 33,8%. As vendas de fábrica de tratores totalizaram 3.764 unidades em maio, redução de 16,5% na comparação anual. As vendas de fábrica de colheitadeiras recuaram 81,7%, para 41 unidades. No varejo, as vendas ao usuário final atingiram 3.345 tratores, queda de 9,5%, enquanto as comercializações de colheitadeiras somaram 108 unidades, retração de 47,1%. O mercado vem apresentando trajetória de queda desde o final de 2025. Após uma recuperação pontual em março, as vendas voltaram a recuar a partir de abril, mantendo a atividade industrial em níveis reduzidos. As exportações de máquinas e implementos agrícolas alcançaram US$ 132,9 milhões em maio, crescimento de 7,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Em volume, os embarques de tratores aumentaram 49,4%, para 783 unidades, enquanto as exportações de colheitadeiras permaneceram estáveis em 13 unidades. As importações totalizaram US$ 110,7 milhões, retração de 6,6%. O setor encerrou maio com 115.040 trabalhadores empregados, número 7,6% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025. No acumulado de janeiro a maio, a receita líquida total de vendas atingiu R$ 21,67 bilhões, queda de 21,1% frente ao mesmo período do ano anterior. No mercado interno, a receita somou R$ 17,97 bilhões, retração de 24,6%. As exportações acumuladas no período alcançaram US$ 715,96 milhões, avanço de 17,5% na comparação anual. As importações totalizaram US$ 501,61 milhões, redução de 9%. O elevado custo do crédito continua sendo um dos principais fatores que restringem tanto a renovação do parque de máquinas pelos produtores quanto a ampliação da capacidade produtiva das empresas do setor. Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.