03/Jul/2026
Segundo o Itaú BBA, o elevado custo dos fertilizantes pode levar produtores brasileiros a reduzir o nível de investimento em tecnologia na safra 2026/27. O cenário reforça a dependência do Brasil de insumos importados em um contexto de maior incerteza climática associado ao fenômeno El Niño, elevando os desafios para o planejamento da próxima temporada. A guerra no Golfo Pérsico intensificou a pressão sobre o mercado internacional de fertilizantes, que já registrava trajetória de valorização desde o ano passado. Entretanto, os impactos variaram entre os diferentes nutrientes. No segmento de nitrogenados, houve recuo expressivo dos preços da ureia nas últimas semanas, com retorno aos níveis observados antes do conflito, reduzindo parte da pressão sobre os custos de produção da próxima 2ª safra de milho (2027). O maior ponto de atenção permanece no mercado de fosfatados.
A valorização do enxofre apresenta caráter estrutural, decorrente tanto de limitações de oferta quanto da expansão da demanda global. Entre os fatores que sustentam esse movimento está o crescimento do consumo de ácido sulfúrico utilizado na fabricação de baterias para veículos elétricos. Embora essa aplicação ainda represente menos de 5% da demanda mundial de enxofre, o volume destinado a esse segmento já se aproxima de 2 milhões de toneladas e segue em expansão, indicando que a pressão sobre os custos dos fosfatados pode persistir mesmo com eventual redução das tensões geopolíticas. A comercialização de fertilizantes destinados à 2ª safra de milho de 2027 ainda ocorre em ritmo inicial, permitindo ao produtor antecipar compras caso considere conveniente diante da volatilidade do mercado.
Para a soja, parte do risco foi mitigada em Mato Grosso, onde aproximadamente metade do fósforo necessário para a safra 2026/27 já havia sido adquirida antes da recente alta dos preços provocada pelo conflito. Apesar disso, o encarecimento dos fertilizantes tende a impactar principalmente a 2ª safra de milho de 2027 e outras culturas que ainda dependerão de novas aquisições. Os solos brasileiros apresentam menor reserva de nutrientes após sucessivas boas safras, que aumentaram a extração nutricional das áreas cultivadas. Dessa forma, uma eventual redução na aplicação de fertilizantes fosfatados poderá afetar o potencial produtivo, com intensidade variável conforme as condições climáticas e a capacidade de cada solo em sustentar a produtividade. O cenário reforça a vulnerabilidade estrutural do Brasil em relação ao fornecimento externo de fertilizantes justamente em um período marcado por elevada incerteza climática. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.