01/Jul/2026
A Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) avaliou que o Plano Safra 2026/27 não atende à demanda dos produtores por crédito para armazenagem e irrigação, duas áreas consideradas centrais para milho e sorgo. Além do volume insuficiente, o acesso às linhas de investimento segue limitado pela maior cautela dos bancos em operações de longo prazo. O que interessa sobretudo na questão do milho e do sorgo é armazenagem e irrigação. Não há recursos suficientes. O Plano Safra 2026/27 da agricultura empresarial prevê R$ 525,1 bilhões em financiamentos para médios e grandes produtores, alta de 1,7% ante o ciclo anterior.
Para investimentos, o governo anunciou R$ 140,2 bilhões, crescimento de 38% sobre a temporada passada. Apesar do avanço no volume total, algumas linhas diretamente ligadas à infraestrutura produtiva tiveram redução, como o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) e o Proirriga. No caso da armazenagem, os recursos do PCA somam R$ 5,9 bilhões no novo Plano Safra, ante R$ 8,2 bilhões no ciclo 2025/26. O Proirriga passou de R$ 2,75 bilhões para R$ 1,7 bilhão. Esses valores ficam abaixo da necessidade do setor, especialmente em um cenário de crescimento contínuo da produção de grãos. O Brasil tem hoje déficit de armazenagem de cerca de 135 milhões de toneladas.
A produção nacional de grãos cresce em torno de 10 milhões de toneladas por ano e seriam necessários aproximadamente R$ 15 bilhões em investimentos anuais em armazenagem apenas para evitar que esse déficit aumente. Não é para zerar o déficit de armazenagem nem para reduzir, só para não deixar ele aumentar. O problema também envolve a postura das instituições financeiras. Os bancos têm priorizado linhas de custeio, cujo retorno ocorre em prazo mais curto, em vez de financiamentos de investimento. Hoje, os bancos estão fugindo de financiamento de longo prazo, de investimentos. Observa-se dificuldade desde o ano passado para os produtores terem acesso a essas linhas de irrigação e armazenagem.
Os instrumentos disponíveis para armazenagem no Plano Safra, incluindo o PCA e a linha para estruturas de até 12 mil toneladas, não têm volume suficiente para suprir a demanda. Parte dos recursos pode ser acessada por outros segmentos agrícolas, não apenas por produtores de grãos, o que aumenta a disputa pelas linhas. A redução dos juros nas linhas de armazenagem foi limitada. No Plano Safra 2026/27, as taxas do PCA foram anunciadas em 8% ao ano para estruturas de até 12 mil toneladas e 9,5% ao ano nas demais operações. Embora tenha caído 0,5%, ainda não é suficiente para dizer que é uma linha atrativa.
O custo financeiro precisa ser analisado no horizonte completo da operação, já que linhas de armazenagem costumam ter prazo de dez anos, com dois anos de carência. Esse juro na atividade agrícola, por mais que seja fixo, não é pequeno, principalmente se analisar no longo prazo. É um juro real, já que a inflação está menor que isso. É preciso separar o volume total de crédito anunciado pelo governo do subsídio efetivo do Tesouro nas operações. O dado relevante para medir o apoio público ao Plano Safra é o valor aplicado em equalização de juros. Esse é o valor real da aplicação, em termos de subsídio, no Plano Safra, na agropecuária brasileira. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.