30/Jun/2026
A recente queda nos preços globais de fertilizantes após a reabertura do Estreito de Ormuz deve beneficiar de forma mais relevante o milho no Brasil, enquanto a soja tende a ser menos favorecida, devido ao timing do plantio e à dinâmica de insumos. O alívio nos custos ocorre em um momento de recomposição parcial das cadeias globais de fertilizantes, com redução nas cotações de ureia e expectativa de aumento nos embarques ao Brasil. O país importa cerca de 80% de sua demanda de fertilizantes, o que o torna altamente sensível a choques logísticos e geopolíticos. O recuo nos preços do nitrogênio tende a favorecer principalmente a produção de milho, cuja 2ª safra de 2027 ainda permite a formação de estoques de insumos antes do plantio.
No caso do milho, a janela de compra e entrega de fertilizantes ainda está aberta, o que possibilita melhor aproveitamento da queda de custos. A cultura, voltada majoritariamente ao consumo interno, especialmente na produção de ração animal e etanol, tende a se beneficiar mais diretamente da melhora no abastecimento de ureia e outros fertilizantes nitrogenados. Para a soja, o cenário é mais restritivo. O plantio começa em setembro, o que reduz o tempo disponível para a chegada de fertilizantes importados ao país em condições mais favoráveis de preço e logística. Além disso, a cultura depende de maior participação de fertilizantes fosfatados, cuja oferta deve permanecer mais limitada por mais tempo em relação aos nitrogenados.
A combinação entre prazos mais curtos de aquisição, dependência de fosfatos e possível interrupção no fornecimento de insumos, como enxofre utilizado na produção de fertilizantes fosfatados, tende a limitar o repasse do alívio de custos à soja. O mercado também aponta paralisações em unidades de produção de fertilizantes no Brasil como fator adicional de restrição na oferta doméstica. O custo logístico pode permanecer elevado, com maior dificuldade de transporte interno em períodos fora da janela usual de embarques. Nesse contexto, produtores brasileiros enfrentam restrições financeiras e maior incerteza no planejamento de aplicação de insumos, o que pode levar à redução do uso de fertilizantes na próxima safra de soja. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.