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30/Jun/2026

Fertilizantes: renegociação de dívidas atrasa compras

A expectativa de medidas governamentais para renegociação de dívidas rurais tem levado produtores a adiar a compra de insumos para a safra 2026/27, com impacto direto sobre o mercado de fertilizantes e sobre o fluxo de negócios de revendas e indústrias do setor. O movimento ocorre em um ambiente já marcado por juros elevados, preços pressionados e aumento da inadimplência no campo. O ritmo de aquisição de fertilizantes está cerca de 10% abaixo da média histórica para o período. Dados de consultorias indicam que, na primeira quinzena de junho, produtores de soja haviam adquirido 68% do volume previsto para a próxima safra, ante média de 75% nos últimos cinco anos. No caso do milho, o atraso é ainda maior, com defasagem estimada em 13% em relação ao padrão histórico.

Levantamento da consultoria Veeries aponta que, considerando soja, milho verão, milho 2ª safra, algodão, cana-de-açúcar, trigo e café, apenas 50% do volume total de fertilizantes projetado para 2026/27 havia sido comprado até a primeira quinzena de junho, abaixo da média de 60% observada nos últimos três anos para o mesmo período. A comercialização de sementes e defensivos, por outro lado, permanece em linha com a média. O principal fator para o atraso é o aumento dos preços dos fertilizantes, em um cenário influenciado por tensões geopolíticas e pela elevação de custos logísticos e de produção. A elevação das taxas de juros e a redução da rentabilidade dos produtores também contribuem para a postergação das decisões de compra.

A expectativa de renegociação de dívidas no Congresso adiciona um elemento adicional de cautela no mercado, ampliando a hesitação nas aquisições. A indústria de insumos avalia que o quadro é multifatorial, combinando fatores financeiros, climáticos e estruturais. A situação de endividamento dos produtores e o acesso mais restrito ao crédito têm impacto direto no ritmo de compras, ainda que o mercado não registre retração generalizada da demanda, mas sim postergação de decisões. O atraso nas aquisições levanta preocupação sobre o abastecimento das propriedades no momento do plantio, com risco de que parte das cargas não chegue a tempo às fazendas para a safra de verão. O cenário já afeta outros segmentos da cadeia, incluindo o mercado de máquinas agrícolas, que registra queda nas vendas e revisão de projeções de faturamento para o ano.

Além das questões financeiras, o setor também observa riscos associados às condições climáticas, com atenção ao possível impacto do El Niño sobre a produtividade da próxima safra. Técnicos e executivos apontam que a combinação entre crédito restrito, menor uso de insumos e incertezas climáticas pode resultar em redução de área ou priorização de lavouras de menor risco pelos produtores. O Ministério da Agricultura acompanha os desdobramentos e avalia cenários de impacto climático e financeiro sobre a produção. Entre as preocupações estão a disponibilidade de recursos para subvenção do seguro rural e a estruturação de mecanismos de garantia para viabilizar o acesso ao crédito. Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.