29/Jun/2026
A indústria brasileira de fertilizantes alertou para o risco de paralisações na produção em razão da escassez global de enxofre, insumo essencial na fabricação de fertilizantes fosfatados. O problema teve início antes do conflito no Oriente Médio, mas foi intensificado com o avanço das tensões geopolíticas e a restrição na oferta internacional. Segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert), os estoques do insumo estão em níveis considerados críticos, o que pode comprometer o abastecimento da cadeia produtiva já na próxima safra. A entidade aponta que há risco de interrupção parcial das operações caso a situação não seja normalizada nos próximos meses. O cenário de restrição não se limita ao Brasil e afeta grandes produtores globais de fertilizantes fosfatados. A estatal marroquina OCP, considerada uma das maiores produtoras do setor, registraria redução de aproximadamente 40% em seus estoques, refletindo o desequilíbrio entre oferta e demanda no mercado internacional.
O setor também cita restrições adicionais no comércio global de fosfatados, incluindo limitações de exportação por parte da China e medidas de priorização do mercado interno adotadas por outros países produtores, o que tem reduzido a disponibilidade de produto no mercado internacional. O Sinprifert informou que vem alertando o governo brasileiro desde outubro do ano passado sobre a deterioração do cenário de suprimento, com solicitações de apoio diplomático para diversificação de fornecedores. Segundo a entidade, a resposta obtida indica ausência de disponibilidade imediata de produto no mercado global. Como alternativa para mitigar os impactos, o setor defende a adoção de mecanismos de apoio ao custo de aquisição de fertilizantes, com referência a modelos de subvenção já utilizados pelo governo federal em outros segmentos, como combustíveis, de forma a reduzir o impacto sobre o custo de produção agrícola.
Dados de mercado indicam forte retração das importações brasileiras de enxofre. Entre janeiro e maio, o país importou cerca de 630 mil toneladas, volume 45,7% inferior ao registrado em igual período do ano anterior, segundo a StoneX. No mesmo período, os preços da matéria-prima nos portos brasileiros superaram US$ 1.200,00 por tonelada, o que representa alta próxima de 140% em relação aos níveis observados no início do conflito no Oriente Médio. De acordo com analistas de mercado, embora a resolução parcial das tensões geopolíticas possa reduzir a pressão altista recente, a recomposição da oferta global tende a ocorrer de forma gradual, mantendo volatilidade nos preços e incertezas quanto ao equilíbrio do mercado no curto prazo. A combinação entre oferta restrita e preços elevados também tem levado parte dos importadores a reduzir volumes adquiridos, ajustando a produção de fertilizantes à disponibilidade de matéria-prima. Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.