29/Jun/2026
Segundo o Rabobank, o mercado brasileiro de fertilizantes permanece sob forte influência dos desdobramentos do conflito no Oriente Médio, em um cenário de ajustes de preços e retração da demanda global de insumos agrícolas, mesmo após três meses do início das tensões. Embora haja sinais de possível acordo entre Estados Unidos e Irã, os efeitos sobre o comportamento do mercado já estão incorporados às decisões de compra no agronegócio. No início do ano, o setor apresentou desempenho aquecido, com entregas de fertilizantes entre janeiro e março atingindo 9,76 milhões de toneladas, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). O resultado foi impulsionado pela demanda voltada ao plantio do milho 2ª safra de 2026.
No entanto, esse movimento ocorreu antes da plena incorporação do choque de preços provocado pelo ambiente geopolítico. A dinâmica recente dos preços, especialmente da ureia, apresentou comportamento semelhante ao observado em crises anteriores de oferta global, com forte volatilidade e ciclos rápidos de alta e posterior correção. Esse movimento resultou em retração significativa nas compras do insumo, refletida no volume de importações. Em maio, o volume de ureia desembarcado no Brasil foi de 0,116 milhão de toneladas, queda de aproximadamente 64% em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado de janeiro a maio, o total importado somou 1,5 milhão de toneladas, o menor nível em uma década. Apesar de ainda haver janela temporal para recomposição das compras, o ritmo atual indica dificuldade para recuperação integral do volume frente ao ano anterior.
No segmento de fósforo, o comportamento é distinto, com leve crescimento nas importações de P2O5, que avançaram 3% no acumulado de janeiro a maio em relação ao mesmo período do ano passado. A retração nas compras de MAP foi parcialmente compensada pelo aumento das importações de SuperSimples (SSP) e SuperTriplo (TSP), embora o nível elevado de preços ainda imponha restrições à demanda total. A tendência é de redução no consumo de fertilizantes no Brasil ao longo do ano, influenciada tanto pelo encarecimento dos insumos quanto pela restrição de capacidade financeira de parte dos produtores rurais. Nesse contexto, as entregas totais de fertilizantes no país devem alcançar cerca de 45,1 milhões de toneladas, o que representa queda de 8,2% em relação ao volume registrado no ano anterior. Fonte: Rabobank. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.