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29/Jun/2026

Portos: Vports investe em Vitória e Vila Velha - ES

A Vports Autoridade Portuária S.A., concessionária responsável pela administração dos portos de Vitória e Vila Velha, no Espírito Santo, estabeleceu como meta mais que dobrar sua receita operacional até 2030, tendo como base os R$ 381 milhões registrados em 2025. A estratégia contempla a ampliação da movimentação das cargas atuais, a incorporação de novos segmentos, como a exportação de petróleo, e a expansão da infraestrutura por meio de parcerias privadas. A empresa assumiu a gestão do complexo portuário há quatro anos, após a desestatização da então Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa), primeira e, até o momento, única autoridade portuária brasileira privatizada. Desde então, foram firmadas 18 parcerias voltadas à operação de cargas específicas, viabilizando investimentos de aproximadamente R$ 1,6 bilhão. Como resultado desse processo, a movimentação de cargas nos portos de Vitória e Vila Velha cresceu 15%, alcançando 8,4 milhões de toneladas em 2024.

Em 2025, o volume ficou ligeiramente abaixo desse patamar, mantendo desempenho superior ao histórico de aproximadamente 7 milhões de toneladas anuais observado até 2022. O complexo opera como porto multipropósito, movimentando granéis sólidos, como ferro-gusa, fertilizantes, coque de petróleo e grãos, além de rochas ornamentais, café, cargas conteinerizadas e veículos. Segundo a companhia, cerca de 90% dos veículos elétricos importados pelo Brasil ingressam pelos terminais do Estado. A empresa também avalia que as mudanças no comércio internacional ocorridas em 2025 alteraram o perfil das cargas movimentadas. As importações de fertilizantes registraram volumes recordes, enquanto as exportações de rochas ornamentais e de café foram afetadas, produtos nos quais o Espírito Santo possui participação relevante na produção nacional. Entre os principais projetos em andamento está a ampliação da operação de ferro-gusa em parceria com a VLI Logística e a Multilift.

A iniciativa permitirá elevar o volume transportado de 500 mil para 1 milhão de toneladas por ano, com investimentos de R$ 140 milhões destinados à adequação da infraestrutura portuária. As obras incluem o aprofundamento do calado do berço de atracação, de 10,6 metros para 12,5 metros, permitindo o recebimento de navios com capacidade de até 50 mil toneladas de ferro-gusa, ante o limite atual de 30 mil toneladas. O projeto também ampliou a área de armazenagem da carga para 40 mil metros quadrados. Além do aumento da capacidade operacional, a estratégia contempla maior especialização dos terminais e aproveitamento da localização logística do Espírito Santo, situado em um raio de aproximadamente mil quilômetros de uma região que concentra cerca de 60% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. O complexo possui acesso ferroviário tanto pela Estrada de Ferro Vitória a Minas quanto pela malha operada pela VLI. Em maio, a Vports concluiu a ampliação do terminal de contêineres de Vila Velha, elevando sua capacidade para quase 300 mil TEUs por ano.

Outro projeto estratégico prevê a implantação de um terminal para exportação de petróleo, desenvolvido em parceria com a Blue Terminals. O empreendimento encontra-se em fase de licenciamento ambiental, com previsão de início das operações em janeiro de 2028. O parceiro investirá R$ 340 milhões no projeto, que permitirá a atracação de navios com capacidade para transportar até 2 milhões de barris. A expectativa é movimentar aproximadamente 50 embarcações por ano. O Espírito Santo é atualmente o segundo maior produtor de petróleo do Brasil. A companhia também desenvolve um projeto de ampliação da capacidade de armazenagem de combustíveis, com investimentos estimados em R$ 400 milhões, que deverá duplicar a capacidade de tancagem dos terminais. No norte do Espírito Santo, a Vports direciona parte de sua estratégia ao desenvolvimento de um novo terminal multipropósito em Barra dos Riachos, distrito localizado ao norte de Aracruz.

O projeto integra a expansão logística da região, que também concentra investimentos privados, como o complexo portuário da Imetame Logística e o Parque Logístico Norte, além da operação do terminal Portocel, especializado na exportação de celulose, cargas gerais, veículos, produtos siderúrgicos e granéis. A expectativa da empresa é que a diversificação das cargas e os novos investimentos industriais previstos para a região, incluindo o projeto anunciado pela fabricante chinesa GWM para instalação de uma fábrica de veículos entre 2029 e 2030, ampliem a demanda logística pelos portos capixabas nos próximos anos. Na desestatização da antiga Codesa, o fundo Quadra Capital venceu o leilão com oferta de R$ 106 milhões pela outorga, adquiriu as ações da autoridade portuária por R$ 326 milhões e assumiu o compromisso de investir R$ 855 milhões em obras de infraestrutura ao longo do contrato de concessão. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.