26/Jun/2026
Segundo projeções de especialistas do setor elétrico, a bandeira tarifária deve permanecer amarela em julho, com cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. O valor é inferior ao observado no mesmo mês do ano anterior, quando vigorou a bandeira vermelha patamar 1, com custo adicional de R$ 4,46 a cada 100 kWh. A manutenção da bandeira amarela reflete um cenário de afluências mais favorável em relação ao ano passado, além da maior disponibilidade de geração térmica incorporada aos modelos do setor a partir dos leilões de reserva de capacidade. Ainda assim, o quadro recente perdeu parte do otimismo observado na semana anterior, quando havia expectativa de eventual bandeira verde. A reversão dessa projeção está associada à piora das condições hidrológicas na região Centro-Sul e à menor geração eólica do que o inicialmente previsto. A redução das chuvas na Região Sul impactou diretamente as expectativas de armazenamento dos reservatórios e pressionou os preços no mercado de energia.
O Operador Nacional do Sistema (ONS) registrou queda de 30% na Energia Natural Afluente (ENA) do subsistema Sul em junho, para 64% da média histórica no mês. O nível de armazenamento também foi revisado para baixo em 10%, para 59%, o que aumentou a percepção de risco hidrológico. Esse cenário contribuiu para a elevação dos preços no mercado livre de energia. Dados do BBCE indicaram alta superior a 12% nos contratos para fornecimento em julho, enquanto o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) passou a operar em patamares mais elevados, influenciando diretamente a definição da bandeira tarifária. O PLD, junto ao risco hidrológico (GSF), segue como principal variável de referência para o acionamento das bandeiras. Em alguns cenários, o preço de curto prazo tem se aproximado da faixa de transição entre bandeira amarela e vermelha, elevando a incerteza sobre a coloração tarifária.
Para o segundo semestre, há consenso entre analistas de que o período tende a registrar manutenção de bandeiras mais caras, devido à sazonalidade de menor volume de chuvas e consequente aumento da geração térmica. No entanto, há divergências quanto à intensidade e duração dessas condições. Algumas projeções indicam possibilidade de retorno da bandeira verde no fim do ano, especialmente caso haja melhora das chuvas no Sul e aumento das afluências. Outras estimativas apontam para manutenção de bandeiras amarelas e vermelhas entre agosto e novembro, com eventual alívio apenas no encerramento do ano. O comportamento do fenômeno climático El Niño adiciona incertezas ao cenário. Dependendo da distribuição das chuvas nas diferentes regiões do País, os efeitos podem variar entre impacto positivo na Região Sul e risco de estiagem nas Regiões Norte e Nordeste, com possíveis desdobramentos relevantes sobre o balanço energético e os preços no horizonte de 2027. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.