26/Jun/2026
A Wave Lithium, empresa da holding New Wave, desenvolve um projeto para processamento de espodumênio e produção de hidróxido e carbonato de lítio grau bateria no Brasil, com objetivo de reduzir custos em relação ao refino atualmente concentrado na China. A iniciativa busca internalizar etapas críticas da cadeia de valor de baterias elétricas, dominada pelo país asiático. O projeto prevê a transformação do espodumênio, minério rico em lítio, em insumos essenciais para baterias de veículos elétricos, eletrônicos e sistemas de armazenamento de energia. Atualmente, cerca de 94% do refino global de lítio ocorre na China, que concentra a tecnologia de conversão do minério em carbonato e hidróxido de lítio. No Brasil, o processamento de lítio ainda é limitado, com destaque para a operação da Companhia Brasileira do Lítio (CBL), em Divisa Alegre (MG), que está ampliando capacidade em parceria com a indiana Altmin para atingir 6 mil toneladas anuais.
O desenvolvimento de novas tecnologias é visto como estratégico para inserção do país na cadeia global de baterias. A New Wave, controlada pela Lorinvest e pelo empresário Gustavo Emina, atua em tecnologias para o setor minero-metalúrgico, incluindo processamento de minérios e reaproveitamento de rejeitos industriais por meio de tecnologias de baixo carbono. O projeto da Wave Lithium utiliza tecnologia baseada em micro-ondas, com etapas de decrepitação e sulfatação. A planta piloto em desenvolvimento em Duque de Caxias (RJ), com investimento estimado em R$ 25 milhões, deve ser concluída em setembro. A unidade terá capacidade de processar 4 toneladas por hora de concentrado de espodumênio e operar com cerca de 20 mil toneladas de alimentação de minério com teor entre 5% e 6%.
O minério será proveniente de projetos do Vale do Jequitinhonha (MG), região conhecida como Vale do Lítio, que reúne iniciativas de exploração em expansão e operações já em fase produtiva, como CBL e Sigma Lithium. A expectativa da empresa é alcançar redução de custos de até 50% em relação às refinarias chinesas. Atualmente, o custo estimado de capital na China para esse tipo de operação é de cerca de US$ 6 mil por tonelada, enquanto o carbonato e o hidróxido de lítio são comercializados entre US$ 18 mil e US$ 22 mil por tonelada, com projeções de até US$ 28 mil. O plano industrial prevê que, a partir de 2027, seja estruturada uma planta em escala comercial com capacidade de 250 mil toneladas anuais de concentrado, gerando mais de 30 mil toneladas de carbonato equivalente de lítio (LCE). A estimativa de custo operacional projetada é de cerca de US$ 1,8 mil por tonelada.
A estratégia da empresa se baseia na integração entre mineração e refino, com expectativa de aumento da verticalização da cadeia global de lítio. O projeto se insere em um contexto de expansão do mercado de baterias e transição energética, com aumento da demanda por insumos críticos. A New Wave já realizou captação de US$ 120 milhões com participação de investidores internacionais e obteve linha de crédito de R$ 221 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para projetos correlatos de inovação industrial. A holding também reúne operações em outros segmentos industriais e energéticos, com foco em tecnologias de processamento mineral e economia de baixo carbono, consolidando uma estratégia voltada à valorização de recursos minerais estratégicos no Brasil. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.