19/Jun/2026
O Banco Santander avaliou que a possível ocorrência do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026 representa risco de médio a elevado para as operações logísticas de transporte e escoamento de grãos no Brasil, com potencial impacto sobre empresas como Rumo e Hidrovias do Brasil. A análise considera os efeitos do fenômeno sobre a produção agrícola, a infraestrutura de transporte e a navegabilidade em importantes corredores logísticos do País. Segundo dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), a probabilidade de ocorrência do El Niño após junho é de 82%. Para o trimestre iniciado em novembro de 2026, a chance de o fenômeno atingir intensidade forte ou muito forte é estimada em 65%. O maior nível de risco para o setor de logística está associado a eventuais quebras de safra no Centro-Oeste e a dificuldades operacionais na infraestrutura de transporte. O fenômeno tende a concentrar as chuvas em períodos mais curtos na região, elevando os riscos para a produção agrícola, especialmente do milho de 2ª safra.
Nas operações hidroviárias do Norte do Brasil, os impactos podem ocorrer por meio da redução das chuvas e da diminuição dos níveis dos rios. O estudo aponta que o Rio Tapajós registra, em média, níveis 0,9 metro abaixo do padrão durante episódios de El Niño, afetando a navegabilidade e o transporte de cargas realizado pela Hidrovias do Brasil. No Sudeste, o aumento das precipitações pode afetar as operações portuárias. O Porto de Santos (SP) pode enfrentar interrupções no carregamento de navios em períodos de chuva intensa, com reflexos sobre a eficiência logística da Rumo e de toda a cadeia de exportação de grãos. O fenômeno tende a reduzir o ritmo de valorização dos fretes rodoviários em Mato Grosso. Nas rotas entre Sorriso (MT) e Miritituba (PA) e entre Sorriso e Rondonópolis (MT), os aumentos anuais dos fretes ficam, em média, pelo menos 10% abaixo dos níveis observados em cenários sem El Niño.
Para os produtores de Mato Grosso, o cenário permanece desafiador. O banco projeta rentabilidade pressionada na safra 2026/27 em razão dos custos mais elevados com fertilizantes e defensivos agrícolas, somados ao risco de redução da produção. A estimativa é de que a produção conjunta de soja e milho em Mato Grosso alcance 100,5 milhões de toneladas na safra 2026/27, queda de 4% em relação ao ciclo anterior. As exportações de grãos do Estado são projetadas em 49,2 milhões de toneladas, recuo de 11%. Para a soja, a projeção é de produção de 48,9 milhões de toneladas, com produtividade média de 62,4 sacas por hectare, redução de 5%. No milho, a estimativa é de 51,6 milhões de toneladas, com produtividade de 116,4 sacas por hectare, queda de 3%. As projeções foram elaboradas com base em dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.