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17/Jun/2026

Irrigação amplia renda, emprego e produtividade

A expansão da agricultura irrigada tem potencial para acrescentar aproximadamente R$ 8,9 mil por hectare ao Valor Adicionado Bruto (VAB) da agropecuária nos municípios brasileiros, além de impulsionar produtividade, renda e geração de empregos no meio rural. A conclusão integra estudo desenvolvido pelo Grupo de Políticas Públicas da Esalq/USP para a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), que avaliou os impactos socioeconômicos da irrigação em importantes polos agrícolas do País. De acordo com o levantamento, a ampliação da área irrigada gera efeitos significativos sobre a economia local. As estimativas indicam que um aumento de cerca de 1,6 mil hectares irrigados pode adicionar aproximadamente R$ 14 milhões ao VAB agropecuário municipal no longo prazo, equivalente a um incremento de R$ 8.921 por hectare irrigado.

O estudo destaca que o potencial de crescimento da irrigação no Brasil permanece elevado. Em 2021, o País possuía cerca de 8,2 milhões de hectares irrigados, enquanto o potencial adicional supera 55,8 milhões de hectares. Segundo os pesquisadores, essa expansão representa uma oportunidade estratégica para ampliar a produção agropecuária e fortalecer a resiliência do setor diante das mudanças climáticas. A análise mostra que regiões com maior presença de irrigação apresentam níveis mais elevados de intensidade produtiva e maior participação da agropecuária na economia local. Também foram identificados impactos positivos sobre produtividade agrícola, renda, emprego e acesso ao crédito rural após expansões da área irrigada.

Entre 2013 e 2023, cada aumento de 1% na área irrigada esteve associado a um ganho de 0,0698% na produtividade da soja. As projeções indicam que uma duplicação da área irrigada poderia elevar os rendimentos da cultura em 5,33 sacas por hectare na Bahia, 2,27 sacas por hectare em Minas Gerais e 2,41 sacas por hectare em Mato Grosso. O levantamento contemplou sete Regiões Geográficas Imediatas consideradas estratégicas para a irrigação: Barreiras e Santa Maria da Vitória (BA), Unaí e Patos de Minas (MG), Sorriso (MT), Cruz Alta e São Luiz Gonzaga (RS). Juntas, essas regiões concentram 704 mil hectares irrigados por pivô central, correspondendo a 37,1% da área irrigada agrícola nacional, embora representem apenas 11,1% da área agrícola brasileira. Os resultados também evidenciam a relevância econômica desses polos.

Em média, a agropecuária responde por 43,3% do VAB regional, participação mais de seis vezes superior à observada em outras regiões do País. O setor também concentra cerca de 21,2% dos empregos locais, índice 8,2 vezes superior ao registrado nas demais regiões brasileiras. Os municípios irrigados analisados apresentaram indicadores econômicos superiores aos observados em outras áreas rurais dos mesmos estados. O PIB per capita alcançou R$ 182,87 mil em Mato Grosso, R$ 91,41 mil no Rio Grande do Sul, R$ 47,25 mil na Bahia e R$ 46,10 mil em Minas Gerais, com diferenças que variam entre 49,6% e 256,3% acima das médias rurais estaduais. No aspecto social, a pesquisa identificou menor dependência de programas de transferência de renda em diversas regiões irrigadas. A participação de beneficiários do Bolsa Família ficou 50,9% abaixo da média dos municípios rurais de Mato Grosso, 23,3% inferior em Minas Gerais e 12,7% menor na Bahia.

Além disso, os pesquisadores verificaram correlação positiva entre a expansão da irrigação e indicadores como exportações, arrecadação tributária, emprego formal agropecuário, PIB per capita e valor adicionado da agropecuária. Em contrapartida, observaram correlação negativa com áreas de pastagem e com a proporção de famílias inscritas no Cadastro Único, sugerindo menor vulnerabilidade socioeconômica nos municípios com maior presença da atividade. Segundo o estudo, a irrigação se consolida como um importante vetor de intensificação produtiva, ampliação da renda agropecuária, fortalecimento do emprego formal e expansão do crédito rural, contribuindo para a transformação econômica dos territórios analisados. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.