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16/Jun/2026

Fertilizantes: impactos prolongados da guerra no setor

Segundo a StoneX, o anúncio de um acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã provocou forte recuo nos mercados de energia e commodities agrícolas, reduzindo os prêmios de risco associados ao conflito no Oriente Médio. Apesar da reação negativa dos preços de petróleo, grãos e oleaginosas, o mercado pode estar subestimando o tempo necessário para a normalização dos fluxos globais de energia e fertilizantes. O entendimento firmado entre os dois países não representa um acordo definitivo de paz, mas sim um memorando de entendimento com duração inicial de 60 dias destinado à suspensão das hostilidades e à reabertura do Estreito de Ormuz enquanto prosseguem as negociações relacionadas ao programa nuclear iraniano. Nesse cenário, permanecem incertezas sobre a consolidação de uma solução duradoura para a região. A expectativa é que a retomada das operações logísticas ocorra de forma gradual. Inicialmente, deverão ser liberadas as embarcações que permaneceram retidas no Golfo Pérsico.

Na sequência, será necessária a retomada da atividade de novos navios na região, a normalização das condições de seguro marítimo e a eliminação de possíveis restrições operacionais nas rotas de navegação. No mercado de petróleo, a redução das tensões geopolíticas pressionou as cotações internacionais. Entretanto, a recuperação da produção não deverá ocorrer imediatamente. A retomada plena das operações pode exigir semanas em alguns países produtores e vários meses em regiões onde a infraestrutura foi afetada pelo conflito. A principal preocupação para o agronegócio permanece concentrada no mercado de gás natural e fertilizantes. Eventuais danos em campos produtores de gás podem demandar entre dois e três anos para serem completamente reparados. Como o gás natural é a principal matéria-prima utilizada na produção de fertilizantes nitrogenados, incluindo a ureia, os impactos sobre a oferta global poderão se estender para 2027 e até mesmo para 2028.

Para consumidores industriais, usinas e frigoríficos, o recuo das commodities pode abrir oportunidades para recomposição de posições de compra e proteção de custos. Para os produtores rurais, por outro lado, a redução dos riscos geopolíticos tende a devolver o foco dos mercados aos fundamentos agrícolas, especialmente às condições climáticas favoráveis observadas no Meio Oeste dos Estados Unidos e ao atual nível de estoques globais. No milho, os estoques finais da nova safra norte-americana estão projetados em 49,78 milhões de toneladas. Na soja, os estoques devem ser 8,44 milhões de toneladas. Esses volumes indicam uma situação de oferta confortável e não exigem, neste momento, preços mais elevados para restringir a demanda. O mercado acompanha agora a divulgação do relatório de área plantada do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), prevista para 30 de junho.

A expectativa é de alguma migração de área do milho para a soja, embora não em volume suficiente para alterar significativamente o quadro de oferta do milho. No caso da soja, um eventual aumento de área cultivada poderia ampliar ainda mais a disponibilidade do produto. Em relação à demanda internacional, permanecem dúvidas sobre a capacidade da China de absorver integralmente os 25 milhões de toneladas de soja norte-americana previstos em compromissos comerciais. A avaliação é que eventuais confirmações sobre esse volume deverão ocorrer apenas durante o outono nos Estados Unidos. No complexo soja, o óleo apresenta fundamentos mais sustentados pela demanda associada à produção de biocombustíveis. Para o grão, entretanto, a combinação entre oferta elevada e incertezas sobre a demanda internacional continua representando um fator de pressão para as cotações. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.