11/Jun/2026
A União Europeia intensificou as tratativas com o Brasil para ampliar o acesso a reservas de terras raras e outros minerais críticos, em um movimento que insere o país na disputa global por insumos estratégicos entre Estados Unidos e China. A iniciativa ocorre após os Estados Unidos avançarem em investimentos no setor mineral brasileiro e está alinhada ao objetivo europeu de garantir segurança de suprimento para indústrias de tecnologia e defesa. A Comissão Europeia pretende estruturar uma parceria com o governo brasileiro voltada à formação de uma cadeia de fornecimento considerada segura e sustentável, com foco em reduzir a dependência do domínio chinês no processamento desses minerais. O Brasil é estimado como detentor da segunda maior reserva mundial de terras raras, com cerca de 23% do total global e aproximadamente 21 milhões de toneladas, embora o subsolo ainda não esteja completamente mapeado. No âmbito das negociações, a União Europeia enviará ao Brasil, entre 18 e 24 de junho de 2026, o comissário de Parcerias Internacionais, responsável por conduzir tratativas relacionadas ao tema.
A agenda inclui visitas a Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, além de reunião com projetos de investimento e instituições financeiras europeias, como o Banco Europeu de Investimentos (BEI). Um dos pontos da agenda será a visita ao projeto Colossus, da empresa australiana Viridis, em Poços de Caldas (MG), voltado a terras raras. A estratégia europeia envolve cooperação tecnológica, formação e investimentos produtivos, com diretrizes ambientais e sociais próprias. A União Europeia também estruturou grupos de trabalho com Brasil, Argentina e Bolívia para identificação de projetos prioritários e integração com empresas europeias, buscando criar conexões industriais entre os dois blocos. No centro da estratégia está a diversificação de fornecedores de minerais críticos, com destaque para elementos como terras raras, cuja produção e refino são amplamente concentrados na China. Dados citados em estudos internacionais indicam domínio chinês em etapas críticas da cadeia, incluindo participação majoritária no refino de diversos minerais estratégicos.
A preocupação europeia se intensifica diante de episódios recentes de restrição de exportações pela China em meio a disputas comerciais globais. A União Europeia sinaliza interesse em investimentos que não se limitem à extração, mas que envolvam também processamento e geração de valor agregado local no Brasil. A proposta europeia inclui ainda possibilidade de contratos de fornecimento antecipado (offtake), garantindo parte da produção futura a compradores europeus, enquanto o governo brasileiro defende que qualquer acordo contemple também o beneficiamento interno dos minerais. No lado brasileiro, a posição é de que eventuais acordos só avançarão se incluírem investimentos na cadeia industrial e não apenas na exportação de matéria-prima. O país discute a consolidação de um marco regulatório para o setor de terras raras, enquanto adota diretrizes para priorizar parcerias que estimulem a industrialização local.
As negociações ocorrem em paralelo ao aumento da presença dos Estados Unidos no setor mineral brasileiro, incluindo investimentos em mineradoras de terras raras, o que reforça a competição internacional pelo acesso a esses recursos estratégicos. A China segue como principal ator global, com participação dominante na extração e no refino de minerais críticos. O Banco Europeu de Investimentos deve atuar no financiamento de projetos caso a caso, sem volume previamente definido, em articulação com bancos de desenvolvimento brasileiros e empresas europeias. O objetivo é apoiar projetos de médio e longo prazo voltados à estruturação de cadeias produtivas fora da Europa. O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia também é citado como elemento que pode facilitar os investimentos, ao prever preferências tarifárias para minerais e mecanismos que podem permitir algum nível de controle brasileiro sobre exportações no futuro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.