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29/May/2026

Sementes de Soja: excesso de oferta no Brasil

Segundo o Rabobank, o mercado brasileiro de sementes de soja deverá manter trajetória de crescimento nos próximos anos, porém em ritmo mais moderado e em ambiente mais competitivo, marcado por excesso de oferta, margens agrícolas pressionadas e aumento da demanda por sementes de menor custo. A avaliação consta no relatório “O novo ciclo do mercado de sementes de soja no Brasil”, divulgado pelo RaboResearch. Segundo o levantamento, a produção brasileira de soja avançou de 32 milhões de toneladas na safra 1999/2000 para mais de 170 milhões de toneladas em 2024/25, crescimento de 430% em 25 anos. O desempenho foi sustentado pela expansão da área cultivada, pelo avanço genético das sementes e pela evolução das práticas agrícolas. Entre 2006 e 2025, a produtividade da soja no Brasil cresceu a uma taxa anual de 2,04%, acima da expansão de 1,07% observada nos Estados Unidos. O Rabobank estima que o mercado brasileiro de sementes de soja tenha movimentado R$ 24,5 bilhões ao final da safra 2024/25 e projeta avanço para R$ 37 bilhões até 2040, equivalente a um crescimento anual composto de 2,8%.

O ritmo esperado é inferior ao observado entre 2000 e 2025, período em que a área plantada com soja no Brasil cresceu a uma taxa anual média de 5,1%. Para os próximos anos, a projeção é de expansão de área em torno de 1,5% ao ano. O relatório destaca que o setor enfrenta excesso de oferta após a entrada de novos participantes estimulados pelas margens elevadas observadas entre 2020 e 2023. Produtores de grãos migraram para a produção de sementes como estratégia de diversificação, cooperados passaram a atuar como beneficiadores e beneficiadores ampliaram atuação como sementeiros. O movimento intensificou a fragmentação do mercado e elevou a disponibilidade do insumo. A deterioração das margens agrícolas também alterou o perfil de compra dos produtores rurais. O setor havia ampliado a oferta de sementes de maior tecnologia e valor agregado, mas o ambiente de rentabilidade mais apertada elevou a procura por produtos de menor custo. A estrutura do mercado brasileiro segue altamente pulverizada.

Dados do Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem) apontam mais de 900 registros para produção de sementes de soja e 535 unidades de beneficiamento no País. A maior empresa do segmento possui menos de 10% de participação de mercado. Nos Estados Unidos, a líder concentra cerca de 30%, enquanto as quatro maiores empresas respondem por aproximadamente 65% do setor. O processo de consolidação no Brasil tende a ocorrer inicialmente de forma regionalizada, devido às diferenças agronômicas entre regiões produtoras e à importância do relacionamento comercial local. A adaptação das variedades às condições regionais e o perfil dos produtores limitam estratégias padronizadas em escala nacional. O estudo também aponta um desafio estrutural entre ganho de escala e manutenção da qualidade das sementes. Empresas focadas em qualidade tendem a demandar novos investimentos produtivos à medida que crescem, enquanto operações orientadas a volume e preços mais baixos enfrentam pressão de produtores por maior desempenho agronômico em determinadas regiões.

A consolidação do setor deverá ocorrer em duas etapas. A primeira tende a ser marcada pelo crescimento orgânico e pela formação de polos regionais mais fortes. Em uma segunda fase, esses grupos regionais poderão evoluir para estruturas nacionais de maior escala, em dinâmica semelhante à observada no mercado norte-americano. O relatório projeta ainda aumento estrutural dos custos com sementes ao longo dos próximos anos. Com maior incorporação tecnológica nas variedades, o Rabobank estima elevação mínima de 20% no custo por hectare até 2040, ampliando a participação das sementes acima da média histórica de 11% dos custos operacionais da lavoura. Atualmente, os royalties pagos pelas tecnologias genéticas representam cerca de 48% do custo de produção de uma saca de sementes. A aquisição de soja de cooperados responde por 26% e o processamento industrial por 16%, concentrando conjuntamente cerca de 90% dos custos do setor. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.