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28/May/2026

Fertilizantes: comercialização atrasada no Brasil

O mercado brasileiro de fertilizantes registra atraso relevante na comercialização para a próxima safra, em meio ao aumento das tensões geopolíticas, elevação dos custos internacionais e restrições no crédito rural. Segundo avaliação da Mosaic, o ritmo de negociação está entre 10% e 15% abaixo da média histórica. Atualmente, cerca de 65% da demanda nacional foi negociada, enquanto aproximadamente 35% do mercado ainda permanece em aberto. O cenário preocupa o setor diante da elevada dependência externa do Brasil, que importa mais de 80% dos fertilizantes consumidos internamente. O atraso nas compras começa a gerar pressão sobre logística, line-up portuário, armazenagem e transporte, especialmente porque boa parte das operações tende a se concentrar no segundo e terceiro trimestres. A situação é considerada mais sensível nas regiões produtoras do Centro-Oeste, principal polo agrícola do País.

O ambiente internacional continua influenciando diretamente o comportamento de compra dos produtores rurais. A volatilidade dos preços globais, associada às incertezas sobre oferta e disponibilidade dos insumos, tem levado produtores a postergar negociações e adotar postura mais cautelosa para definição das aquisições. Os conflitos envolvendo Rússia, Ucrânia e Oriente Médio seguem entre os principais fatores de instabilidade no mercado global de fertilizantes. As regiões concentram entre 30% e 40% do comércio mundial de NPK, composto por nitrogênio, fósforo e potássio. Para o Brasil, altamente dependente das importações, os efeitos incluem aumento de custos, dificuldades logísticas e pressão sobre as margens do produtor rural. Diante da alta dos preços, cresce o movimento de busca por maior eficiência no uso de insumos agrícolas. Segundo a Mosaic, produtores intensificaram análises mais detalhadas de solo para identificar necessidades específicas de aplicação e reduzir desperdícios.

O interesse por fósforo (P2O5) e por soluções biológicas complementares também vem aumentando. O avanço da agricultura de precisão e das tecnologias biológicas aparece como uma das estratégias para elevar eficiência operacional no campo. Nesse contexto, empresas do setor ampliam investimentos em plataformas digitais, monitoramento da cadeia de suprimentos e soluções voltadas à ativação da microbiota do solo. Outro fator de forte pressão sobre os custos é a disparada do preço do enxofre, matéria-prima fundamental para fertilizantes fosfatados. O produto saiu de cerca de US$ 150,00 por tonelada no fim de 2025 para mais de US$ 1 mil por tonelada. Historicamente, o enxofre costumava representar aproximadamente um terço do valor do MAP (fosfato monoamônico), mas passou recentemente a superar a própria cotação do fertilizante. O MAP também registrou valorização significativa, avançando de aproximadamente US$ 650,00 para cerca de US$ 900,00 por tonelada.

Além das tensões geopolíticas e dos gargalos logísticos no Oriente Médio, o enxofre passou a ser disputado pela indústria ligada à transição energética, especialmente na produção de níquel, baterias e veículos elétricos. O crédito rural mais caro também limita a capacidade de compra dos produtores. Juros elevados, associados à volatilidade dos preços agrícolas e ao aumento dos custos de produção, reduziram o poder de compra em diversas regiões. O mercado já observa aumento nos pedidos de recuperação judicial no setor agropecuário. Diante desse cenário, empresas do segmento intensificam parcerias com instituições financeiras e ampliam estratégias de pré-posicionamento de estoques para reduzir riscos de abastecimento e mitigar os impactos das oscilações globais sobre a cadeia de fertilizantes no Brasil. Fonte: CNN Brasil. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.