28/May/2026
O mercado brasileiro de biodefensivos mantém trajetória de expansão mesmo em meio à restrição de crédito no agronegócio, impulsionado pela elevada produção nacional e pela busca dos produtores por redução de custos operacionais. Segundo a Koppert Brasil, cerca de 90% da produção de biodefensivos comercializada no País é fabricada localmente, reduzindo a dependência de importações e a exposição cambial em um cenário de alta nos preços de insumos agrícolas. O avanço do segmento ocorre em um ambiente de dificuldades financeiras no setor agropecuário, marcado pelo aumento de recuperações judiciais entre distribuidores e produtores rurais. Ainda assim, o mercado de biológicos continua registrando crescimento, sustentado pela competitividade frente aos defensivos químicos, especialmente em culturas de commodities como soja, milho, algodão e cana-de-açúcar.
A elevação dos custos dos defensivos químicos, intensificada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, ampliou o espaço para substituições parciais de aplicações químicas por biológicas. O movimento ocorre em um momento de margens mais apertadas para os produtores, que buscam alternativas com melhor relação de troca e maior eficiência econômica por hectare cultivado. O uso de biodefensivos, historicamente complementar ao manejo químico, passa a ganhar participação mais ampla nos sistemas produtivos, combinando redução de custos, menor dependência externa e atributos ligados à sustentabilidade agrícola. A restrição de crédito rural também alterou a dinâmica comercial do setor de insumos. Com menor disponibilidade de financiamento bancário, a indústria passou a assumir parte do risco financeiro nas operações, oferecendo prazos mais longos de pagamento aos produtores, em alguns casos chegando a 365 dias.
O aumento da seletividade na concessão de crédito, entretanto, vem pressionando toda a cadeia de suprimentos agrícolas. A Koppert Brasil registrou crescimento de 15% em 2025, em linha com a expansão do mercado nacional de biodefensivos. Para 2026, a expectativa da companhia é de avanço orgânico entre 10% e 15%, apoiado também pelo lançamento de três novos produtos. A empresa prepara ainda uma expansão de suas operações no Brasil, dentro de uma estratégia voltada ao fortalecimento financeiro e operacional no País. Em novembro, a companhia iniciou uma captação de 100 milhões de euros em operação conduzida pelo Itaú BBA, destinada à construção de três novas fábricas no Brasil. A ampliação da estrutura deverá permitir maior independência financeira e acesso a instrumentos como CPRs, CRAs e linhas de financiamento do BNDES, reforçando a estratégia de crescimento da companhia no mercado brasileiro de biológicos. Fonte: CNN Brasil. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.