28/May/2026
O Arco Norte consolidou sua posição como um dos principais corredores logísticos do agronegócio brasileiro em 2025, ampliando participação nas exportações nacionais de soja e milho e reforçando a mudança estrutural do fluxo de escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste e do Matopiba. Dados do Anuário Agrologístico 2026, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mostram que os portos localizados acima do paralelo 16° Sul responderam por 39,5% das exportações brasileiras de soja e milho no período. Na soja, os portos do Arco Norte concentraram 36,2% dos embarques nacionais. No milho, a participação alcançou 48%, evidenciando o avanço da região como alternativa logística estratégica frente aos corredores tradicionais do Sudeste e Sul do País. O crescimento do Arco Norte reflete os investimentos realizados nos últimos anos em corredores integrados de transporte, combinando rodovias, ferrovias e hidrovias para reduzir distâncias até os mercados internacionais, especialmente em relação à produção originada em Mato Grosso.
O movimento também acompanha a expansão agrícola do Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Entre os destaques operacionais, o Porto de Itaqui, no Maranhão, ampliou significativamente sua movimentação de grãos, passando de 11,55 milhões de toneladas embarcadas em 2021 para 20,14 milhões de toneladas em 2025. Os terminais de Barcarena, Santarém e Itacoatiara também ampliaram relevância estratégica no escoamento da produção agrícola brasileira. Apesar da expansão do Arco Norte, o Porto de Santos manteve a liderança nacional na exportação de grãos. Em 2025, o terminal paulista movimentou 34,57 milhões de toneladas de soja e 14,68 milhões de toneladas de milho, preservando posição central na logística do agronegócio brasileiro. O avanço operacional ocorre em meio ao crescimento contínuo das exportações nacionais. Os embarques brasileiros de soja atingiram 108,18 milhões de toneladas em 2025, alta de 9,48% sobre o ano anterior. Mato Grosso permaneceu como principal exportador do País, com 32,06 milhões de toneladas.
A China seguiu como principal destino da soja brasileira, absorvendo aproximadamente 78,9% dos embarques. No milho, o Brasil exportou 40,98 milhões de toneladas em 2025, enquanto a produção nacional alcançou 141,1 milhões de toneladas. Mato Grosso respondeu sozinho por cerca de 56% das exportações do cereal, reforçando a dependência logística do Estado em relação aos corredores de exportação. Mesmo com os avanços, a Conab aponta que os desafios estruturais permanecem relevantes. Um dos principais riscos identificados envolve os impactos climáticos sobre as hidrovias da Região Norte. As secas registradas na Amazônia vêm reduzindo a navegabilidade em corredores estratégicos como Madeira, Tapajós-Teles Pires e Solimões-Amazonas, comprometendo a eficiência do transporte fluvial em períodos críticos. Outro gargalo destacado é a armazenagem. A projeção da Conab indica déficit nominal de 15,9 milhões de toneladas na capacidade estática de armazenamento em 2026. A estimativa considera produção de 218,2 milhões de toneladas na primeira safra de grãos, frente a uma capacidade disponível de 202,3 milhões de toneladas. A forte dependência do modal rodoviário também continua pressionando os custos logísticos do setor.
Cerca de 95% das unidades armazenadoras brasileiras utilizam caminhões como principal meio de transporte, cenário que amplia a pressão sobre rodovias durante os períodos de colheita e escoamento. Diante desse contexto, a Conab defende a ampliação dos investimentos em infraestrutura ferroviária e hidroviária, incluindo projetos como Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO), Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) e Transnordestina. O órgão também aponta necessidade de expansão da capacidade portuária e de incentivo à construção e modernização de armazéns nas regiões de maior crescimento agrícola. O avanço do Arco Norte representa uma mudança estrutural na logística brasileira de grãos, reduzindo distâncias médias de exportação, ampliando competitividade internacional e descentralizando parte do fluxo historicamente concentrado nos portos do Sudeste. Ao mesmo tempo, os gargalos de armazenagem, infraestrutura e vulnerabilidade climática indicam que a consolidação desse novo corredor dependerá de investimentos contínuos para sustentar o crescimento da produção agrícola brasileira nos próximos anos. Fonte: CNN Brasil. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.