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27/May/2026

Fertilizantes: preços globais de fosfatados em alta

Segundo o Rabobank Brasil, os preços da ureia começam a ceder após a disparada provocada pelo fechamento do Estreito de Ormuz e pela compra de 2,5 milhões de toneladas pela Índia em abril, mas o mercado de fosfatados segue pressionado por custos mais altos e pela ausência prolongada da China nas exportações. O quadro geral aponta para entregas de fertilizantes no Brasil abaixo do recorde de 2025, com produtores mais cautelosos diante de margens apertadas, crédito restrito e custos ainda elevados. O preço mais recente da ureia está em torno de US$ 675,00 por tonelada no porto, já com queda de quase 8% em relação à semana anterior. A tendência é de recuo gradual até o nível anterior ao conflito no Oriente Médio, mas novas compras em bloco pela Índia podem provocar volatilidade ao longo do caminho. A Índia costuma adquirir grandes volumes de ureia de uma só vez por meio de leilões públicos, o que provoca oscilações bruscas nos preços globais do fertilizante.

Hoje, nesse mercado muito mais apertado, a tendência é a de que os preços sejam mais sensíveis a qualquer novo leilão. A expectativa é a de que uma nova rodada de compras ocorra entre o fim de maio e a primeira quinzena de junho. A situação do MAP, o fosfato monoamônico, é mais complexa. Trata-se de um fertilizante fundamental para o desenvolvimento das raízes das plantas, muito usado na soja e no milho brasileiros. Os custos de produção do MAP subiram de forma estrutural, especialmente pelo encarecimento do enxofre, matéria-prima usada em sua fabricação. O enxofre, que era importado pelo Brasil a menos de US$ 570,00 por tonelada antes do conflito no Oriente Médio, já ultrapassa US$ 1.100,00 por tonelada. O MAP está ao redor de US$ 900,00 por tonelada no porto e se mantém nesse nível há algumas semanas. A ausência da China como exportadora agrava o quadro. O país é um dos maiores fornecedores mundiais de fosfatados, e a previsão inicial era a de que retornasse ao mercado internacional em agosto.

As informações mais recentes, porém, apontam para outubro como prazo mais provável. Isso deixa um mercado que já estava apertado ainda mais apertado. O preço elevado do MAP já pode estar segurando parte das compras. Alguns produtores brasileiros adotaram no ano passado a estratégia de reduzir a adubação fosfatada, contando com os nutrientes acumulados no solo em safras anteriores. Repetir esse movimento por dois anos seguidos, porém, tende a ser mais arriscado do ponto de vista agronômico. Há uma "queda de braço" entre os preços sustentados pela menor oferta e a cautela dos agricultores, que seguem com margens apertadas. Os dados de importação já refletem esse comportamento. O volume de ureia trazido ao Brasil nos quatro primeiros meses de 2026 ficou cerca de 20% abaixo de igual período do ano passado e quase 28% abaixo da média histórica. No caso do MAP, a comparação com a média dos últimos cinco anos aponta queda de 25%.

A exceção é o cloreto de potássio, cujos preços seguem estáveis em torno de US$ 400 por tonelada no porto, o que tem incentivado compras mais ativas por parte dos produtores. Para o ano inteiro, o Rabobank mantém a projeção de entrega de fertilizantes no Brasil em torno de 47 milhões de toneladas, abaixo do recorde de 49 milhões de toneladas registrado em 2025. Porém, o número pode ser revisto para baixo nos próximos meses, caso os preços altos continuem freando as importações. O pano de fundo é o de um produtor brasileiro com margem ainda apertada na soja, crédito mais seletivo e maior aversão a risco. Esse conjunto de fatores tende a manter o ritmo de compra de insumos abaixo da média histórica ao longo da janela de aquisição para a próxima safra. A tendência é de o produtor ser muito mais cauteloso na hora da aquisição, principalmente com custo mais alto e margem mais apertada. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.