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26/May/2026

Fertilizantes: guerra e restrições devem elevar preço

O fechamento do Estreito de Ormuz após a escalada do conflito no Irã colocou em risco cerca de um terço do comércio marítimo global de fertilizantes, aumentando a atenção do mercado para as políticas comerciais adotadas por grandes exportadores e importadores fora do Golfo Pérsico. Análise do Instituto Internacional de Pesquisa de Políticas Alimentares (IFPRI) aponta que restrições adicionais às exportações por grandes fornecedores globais poderão definir a trajetória dos preços internacionais nos próximos meses. Até abril, os preços globais da ureia praticamente dobraram, enquanto o fosfato diamônico (DAP) acumulou valorização de 35%, refletindo o bloqueio de aproximadamente 21 milhões de toneladas de capacidade anual de exportação de ureia e de 4 milhões de toneladas de DAP na região do Golfo.

No lado da oferta, China, Rússia, Egito e Indonésia concentram cerca de 35% das exportações globais de fertilizantes e seguem determinando o volume residual disponível ao mercado internacional. A China mantém rígido controle das exportações por meio do regime de inspeção aduaneira (CIQ). Os embarques chineses de ureia caíram para 260 mil toneladas em 2024, antes da adoção de um sistema de cotas que permitiu recuperação para 5,8 milhões de toneladas em 2025. A Rússia adotou estratégia mais flexível e anunciou aumento das cotas temporárias de exportação para 20 milhões de toneladas entre junho e novembro de 2026. Um eventual endurecimento coordenado das restrições por esses quatro países poderia retirar 3,5 milhões de toneladas de ureia do comércio global, equivalente a 7% do total negociado internacionalmente.

Nesse cenário, os preços da ureia poderiam subir US$ 134,00 por tonelada acima do cenário-base, enquanto o DAP teria potencial de valorização adicional de US$ 224,00 por tonelada. Pelo lado da demanda, os subsídios agrícolas praticados pela Índia, responsável por quase 20% das importações globais de ureia, amortecem os impactos internos da alta dos fertilizantes e transferem o ajuste de consumo para mercados menos subsidiados, como a América Latina, especialmente o Brasil.

As restrições às exportações exercem impacto mais intenso sobre o equilíbrio global do que as oscilações nos subsídios à importação, devido à baixa elasticidade da oferta no curto prazo. A expansão da capacidade mundial de produção de amônia exige investimentos elevados e prazo estimado entre três e cinco anos para entrada em operação de novas plantas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.