26/May/2026
O adiamento do cronograma para publicação do edital da concessão da hidrovia do rio Paraguai pelo Ministério de Portos e Aeroportos ampliou, entre representantes do setor hidroviário e técnicos ligados ao projeto, a avaliação de que o governo federal estaria atribuindo maior peso às demandas de movimentos sociais do que à necessidade de avanço da infraestrutura logística nacional. O cronograma da concessão deveria estar mais condicionado ao avanço das negociações diplomáticas entre Brasil, Paraguai e Bolívia para elaboração da minuta do edital. O documento ainda precisará passar por análise e aprovação dos parlamentos dos países envolvidos antes da continuidade do processo licitatório. O Ministério de Portos e Aeroportos indicou que o adiamento ocorreu em razão da necessidade de aprofundar o diálogo com movimentos sociais e com os países participantes da construção do edital do projeto.
A postura mais cautelosa do governo ocorre após reação de organizações ambientais, comunidades ribeirinhas e lideranças indígenas ao decreto que qualificava as hidrovias dos rios Madeira, Tapajós e Tocantins no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). A pressão política e social levou o governo federal a revogar o ato. A Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação trabalha com expectativa de concluir a minuta do edital até junho deste ano. Na avaliação de fontes do setor, o cronograma ainda permitiria a realização do leilão em 2026, desde que as etapas de tramitação e aprovação avancem com maior velocidade. Representantes do segmento avaliam que a questão central não é desconsiderar demandas sociais, mas evitar que elas se sobreponham às negociações diplomáticas e à agenda de infraestrutura em período pré-eleitoral.
O setor também aponta necessidade de ampliar o trabalho de articulação junto a parlamentares de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul para reforçar a relevância econômica e logística da concessão da hidrovia para a região. A navegação comercial no Rio Paraguai já ocorre atualmente, principalmente para o escoamento de minério de ferro, combustíveis e produtos do agronegócio. A proposta de concessão do governo federal não cria a atividade hidroviária, mas prevê a transferência à iniciativa privada da gestão de serviços como dragagem, sinalização e monitoramento do canal de navegação. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.