22/May/2026
Segundo levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o valor das importações brasileiras de fertilizantes cresceu 16% entre janeiro e abril de 2026, totalizando US$ 4,3 bilhões, enquanto o volume importado recuou 4% no mesmo período, para 7,4 milhões de toneladas. A divergência entre aumento do desembolso financeiro e redução do volume importado indica maior necessidade de capital de giro por parte dos produtores rurais para aquisição de menor quantidade de insumos, ampliando a exposição do setor às oscilações logísticas, cambiais e geopolíticas.
O cenário de custos elevados também pressionou a relação de troca dos fertilizantes. Em abril de 2026, o indicador entre soja e fosfato monoamônico (MAP) atingiu 55 sacas de 60 Kg por tonelada, enquanto a relação entre milho e ureia superou 90 sacas de 60 Kg por tonelada, níveis acima dos registrados em 2022, período marcado pelo início do conflito entre Rússia e Ucrânia. A elevada dependência externa segue como fator estrutural de risco para o abastecimento nacional. Em 2025, a dependência de fertilizantes importados alcançou 93%. Houve também alteração no perfil dos fornecedores, com a China assumindo a liderança das exportações ao Brasil, respondendo por 26% do volume importado, seguida pela Rússia, com 25%.
Diante da elevação dos custos, produtores passaram a buscar fontes alternativas de nutrientes com menor concentração. As importações de sulfato de amônio (SAM) passaram a superar as de ureia em frequência, enquanto o superfosfato triplo (TSP) e o superfosfato simples (SSP) ganharam espaço como substitutos do MAP. Os conflitos no Oriente Médio ampliam os riscos sobre o fluxo internacional de fertilizantes, em um contexto de baixa produção doméstica. A recomendação ao produtor é monitorar variáveis como câmbio, logística global e evolução do mercado internacional no planejamento de compras para a safra 2026/27. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.