21/May/2026
A indústria brasileira de pneus apresentará ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) uma nova rodada de reivindicações voltadas ao aumento da proteção comercial contra produtos importados, em meio ao avanço da participação externa no mercado doméstico de reposição. O principal pleito do setor é a elevação da tarifa de importação de pneus para carros de passeio de 25% para 35%, proposta já protocolada na Câmara de Comércio Exterior (Camex). A demanda será discutida em reunião com o ministro do MDIC, Márcio Elias Rosa, com participação de representantes da indústria nacional e executivos de fabricantes multinacionais instalados no Brasil. Dados da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos indicam que 69% dos pneus vendidos no mercado de reposição neste ano são importados.
O setor avalia que o avanço das importações amplia riscos para a operação de fábricas no País e pressiona diferentes segmentos da cadeia produtiva, incluindo borracha natural, aço, produtos químicos e insumos têxteis. A indústria nacional também argumenta que parte dos pneus importados ingressa no mercado brasileiro com preços inferiores ao custo das matérias-primas utilizadas na fabricação, além de apontar supostas falhas no cumprimento de exigências ambientais relacionadas à destinação adequada de pneus após o fim da vida útil. Entre as medidas defendidas pelos fabricantes estão maior fiscalização ambiental, restrições ao licenciamento automático de importações realizadas abaixo de valores praticados internacionalmente, aplicação de direitos provisórios antes da conclusão de investigações antidumping e estímulo às compras governamentais de pneus produzidos no Brasil.
A posição da indústria é apoiada pela avaliação de que outras economias relevantes, como Estados Unidos, México e países da União Europeia, já adotam mecanismos de proteção para o setor. Do lado dos importadores, representados pela Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Pneus, há preocupação de que eventual aumento tarifário resulte em encarecimento do produto ao consumidor e restrinja a oferta de modelos não fabricados nacionalmente. O debate ocorre em um cenário de maior pressão sobre a política comercial brasileira e de discussão sobre instrumentos de defesa da indústria nacional diante do crescimento das importações em segmentos industriais estratégicos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.