18/May/2026
A disparada dos preços de matérias-primas para fertilizantes, após a escalada do conflito no Oriente Médio, já levou a Mosaic Fertilizantes a reduzir gradualmente a produção de fosfatados no Brasil e na América do Norte. O custo atual dos insumos tornou a produção agrícola "praticamente inviável" para parte dos produtores. O principal ponto de pressão hoje está nos fertilizantes nitrogenados e, principalmente, nos fosfatados, devido ao impacto da guerra sobre o fluxo logístico global de matérias-primas estratégicas. A indústria de fertilizantes nunca, na sua história, se defrontou com um momento tão intenso em termos de bloqueio de fluxo logístico das nossas matérias-primas em uma região muito relevante. A região em conflito, no Oriente Médio, responde por cerca de 25% da oferta global de ureia, entre 25% e 30% do gás natural, 25% do fósforo e aproximadamente 50% do enxofre utilizado pela indústria global de fertilizantes, insumo essencial para a produção de fosfatados.
O preço internacional do fósforo já subiu mais de 50% desde o período anterior ao conflito. O produto, que girava em torno de US$ 680,00 por tonelada antes da guerra, já alcançou US$ 940,00 por tonelada em leilões recentes na Índia. No Brasil, as referências estão próximas de US$ 910,00 por tonelada. O maior gargalo está no enxofre. O insumo, que custava em média US$ 100,00 por tonelada há quatro anos e estava na faixa de US$ 500,00 por tonelada em dezembro, chegou a atingir US$ 1.200,00 por tonelada após a escalada geopolítica recente. Nesse preço, a atividade agrícola para o agricultor fica praticamente inviabilizada. Diante desse cenário, a Mosaic anunciou, recentemente, redução parcial de produção em duas fábricas na América do Norte e iniciou cortes graduais em unidades brasileiras.
A companhia já havia reduzido a produção na unidade de Araxá (MG) há cerca de 30 dias e agora amplia o movimento para outras plantas devido à dificuldade de acesso ao enxofre. Apesar do cenário de pressão, os produtores têm buscado alternativas para reduzir custos. Cresce a procura por agricultura de precisão para medir com maior exatidão a necessidade de nutrientes no solo, além do uso de biológicos e fertilizantes orgânicos. Os produtores vão ter que fazer escolhas. Entre 55% e 60% do mercado brasileiro de fertilizantes para a safra de verão (1ª safra 2026/2027) já foi comercializado, mas ainda resta uma parcela relevante da demanda a ser atendida em meio ao ambiente de crédito restrito, juros elevados e maior endividamento no campo. Tecnologias desenvolvidas no Brasil podem ajudar a mitigar parte da pressão sobre os custos no curto prazo. Os biológicos têm um grande upside (potencial de valorização e crescimento) no Brasil. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.