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18/May/2026

Insumos: resultado da 3tentos no 1º trimestre/26

A 3tentos encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 230,9 milhões, alta de 110,7% em comparação com igual período do ano passado, com crescimento nos segmentos de insumos, grãos e indústria. A receita operacional líquida somou R$ 4,207 bilhões, avanço de 20,2% na mesma comparação, marcando o 29º trimestre consecutivo de expansão da companhia. "Estamos muito confiantes e com perspectivas positivas para 2026, visto todos os investimentos realizados na expansão de nossas operações", disse o CEO João Marcelo Dumoncel. O lucro bruto ajustado com hedge foi de R$ 906,6 milhões, crescimento de 66,3%, com margem bruta ajustada de 21,6%, alta de 6 pontos porcentuais. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado com hedge somou R$ 394,3 milhões, avanço de 98,5%, com margem de 9,4%, alta de 3,7%.

Segundo o CEO, os investimentos realizados nos últimos trimestres, principalmente no segmento de indústria, começaram a aparecer nos resultados. O desempenho refletiu também o avanço da verticalização no milho, com a entrada da companhia na produção de etanol e coprodutos. "Seguimos lado a lado com o produtor na oferta de uma solução completa em busca de ganhos de produtividade com rentabilidade", afirmou. No segmento de insumos, a receita líquida cresceu 31,9%, para R$ 826,6 milhões, impulsionada pelo ganho de participação em novas regiões, especialmente em Mato Grosso, que respondeu por 44% da receita do segmento no período. A companhia citou ainda o deslocamento de vendas do quarto trimestre de 2025 para o início de 2026, em virtude do plantio mais tardio da soja no Rio Grande do Sul, e a demanda por produtos de maior valor agregado, como fungicidas e inseticidas.

Em grãos, a receita líquida avançou 40%, para R$ 1,47 bilhão, beneficiada pela safra recorde de soja em Mato Grosso e pela evolução das 14 lojas do Estado, ainda em fase de maturação. No milho, o desempenho refletiu principalmente a safra do Rio Grande do Sul, maior que a do ano anterior. O trigo recuou na comercialização em razão de preços em níveis historicamente baixos. Mato Grosso representou 57% da receita líquida de grãos no trimestre. Na indústria, a receita somou R$ 1,91 bilhão, alta de 4,9%, com crescimento de dois dígitos no volume de biodiesel e farelo na comparação anual. A companhia também aguarda aprovação final da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para iniciar a operação da primeira planta de etanol de milho, em Porto Alegre do Norte (MT), com capacidade para processar 2,8 mil toneladas de milho por dia. A companhia abriu lojas em Santana do Araguaia (PA) e Rio Verde (GO), marcando a entrada no Pará e em Goiás. Com isso, chegou a 75 unidades em quatro Estados.

No segmento financeiro, a TentosCap encerrou o trimestre com carteira de crédito de R$ 510,8 milhões, crescimento de 95% em um ano. A 3tentos avalia que o segmento de insumos começou 2026 com rentabilidade melhor, apoiado pela maturação da operação em Mato Grosso, pelo avanço da canola no Rio Grande do Sul, pela demanda por produtos de maior valor agregado e por um ambiente competitivo menos intenso do que em ciclos anteriores. “A gente está otimista com insumos para o ano, não só em volume, mas também em rentabilidade”, afirmou Dumoncel. No primeiro trimestre, a receita líquida de insumos cresceu 31,9%, para R$ 826,6 milhões. A companhia atribuiu o desempenho ao ganho de participação em novas regiões, especialmente em Mato Grosso, ao deslocamento de vendas do fim de 2025 para o início de 2026 por causa do plantio mais tardio da soja no Rio Grande do Sul, às melhores condições climáticas no Sul e à demanda por produtos de maior valor agregado, como fungicidas e inseticidas.

Mato Grosso respondeu por 44% da receita líquida do segmento. João Marcelo disse que a concorrência em insumos continua acirrada, mas abaixo dos níveis observados em ciclos anteriores. Segundo ele, parte dos concorrentes se acomodou após o período mais difícil do agro e o mercado passou a buscar mais rentabilidade. “O ambiente concorrencial está menos intenso. Segue acirrado, mas talvez não nos níveis que tínhamos há algum tempo”, afirmou. O executivo disse que Mato Grosso ainda tem margem estrutural menor do que o Rio Grande do Sul, mas que essa diferença diminuiu no trimestre. No Sul, segundo ele, a safra melhor de soja e o avanço da canola ajudaram o mix de produtos vendidos. Luiz Osório Dumoncel, presidente do conselho de administração e diretor vice-presidente executivo, afirmou que a área de canola no Rio Grande do Sul deve sair de cerca de 200 mil hectares no ano passado para perto de 400 mil hectares neste ano, podendo superar esse patamar.

A canola ganhou relevância como cultura de inverno no Estado e como produto ligado à demanda por biocombustíveis. Para Luiz Osório, a cultura chegou em um momento importante para produtores gaúchos que ainda recompõem a situação financeira após estiagens e enchentes recentes. “É um produto que veio agregar e veio em um momento muito importante para que as soluções financeiras dos produtores gaúchos sejam melhor endereçadas”, afirmou. A expansão geográfica também sustenta a estratégia de insumos. A 3tentos abriu no primeiro trimestre lojas em Santana do Araguaia (PA) e Rio Verde (GO), marcando a entrada no Pará e em Goiás. A companhia chegou a 75 lojas e planeja avançar também para Tocantins e Minas Gerais, como anunciado no 3tentos Day. Considerando Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Pará, Tocantins, Goiás e Minas Gerais, a área potencial de cobertura soma cerca de 25 milhões de hectares de plantio, sem contar 2ª safra e culturas de inverno.

Luiz Osório afirmou que a abertura de lojas ocorre de forma integrada à estratégia de originação, logística e possíveis projetos industriais. “Não estamos fazendo aberturas de lojas sem planejamento, sem conexões”, disse. Segundo ele, as lojas, unidades de grãos e eventuais indústrias seguem um mapa de expansão com atenção à logística. No mercado de fertilizantes, João Marcelo disse que houve antecipação de compras antes do agravamento dos riscos geopolíticos, mas que as negociações desaceleraram depois, principalmente em nitrogenados. “A parte de fertilizante deu uma segurada nas operações. Não zerou, mas reduziu o ritmo, principalmente em nitrogenado, que é o grande impactado pela guerra”, afirmou.

Segundo ele, fósforo também foi afetado, mas com menor intensidade, enquanto sementes e defensivos seguem sendo definidos pelos produtores. O aumento do prazo de contas a receber também foi discutido na teleconferência. João Marcelo atribuiu o movimento ao crescimento das vendas via barter, à antecipação de negócios de soja 2026/27 e milho 2027 e ao avanço das vendas de insumos para canola, cujo vencimento ocorre mais perto do fim do ano. Luiz Osório disse que os recebimentos em Mato Grosso, no Vale do Araguaia e na BR-163 foram “praticamente 100%”, com pequenos ajustes. No Rio Grande do Sul, segundo ele, produtores ainda amortizam débitos de safras afetadas por estiagens e pela enchente, mas a companhia avalia que a proximidade com o agricultor mantém a inadimplência em nível baixo. Fonte: Broadcast Agro.