18/May/2026
A Vittia, empresa brasileira de biotecnologia para defesa e nutrição de plantas, encerrou o primeiro trimestre de 2026 com prejuízo líquido ajustado de R$ 5,9 milhões, ante prejuízo de R$ 1,958 milhão em igual período do ano passado. A receita líquida recuou 11,5% na mesma comparação, para R$ 121,9 milhões, em um cenário de cautela no campo, segundo a companhia. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ficou negativo em R$ 587 mil, ante resultado positivo de R$ 6,861 milhões no primeiro trimestre de 2025. As três linhas de negócios informadas pela empresa tiveram receita menor no trimestre. Fertilizantes foliares e produtos industriais somaram R$ 49,7 milhões, ante R$ 58,6 milhões um ano antes. Soluções biológicas e naturais recuaram de R$ 50 milhões para R$ 46,1 milhões. Fertilizantes de solo passaram de R$ 29,2 milhões para R$ 26,2 milhões.
O principal destaque positivo do trimestre foi a redução de 19,9% da dívida líquida, que encerrou março em R$ 174,4 milhões, ante R$ 217,7 milhões no primeiro trimestre do ano passado. O índice de alavancagem, medido pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado, ficou em 1,62 vez. A companhia também destinou R$ 16,5 milhões a acionistas no trimestre, entre recompras de ações e pagamento de juros sobre capital próprio. Mesmo com receita menor e Ebitda negativo, a Vittia manteve investimentos em expansão produtiva e inovação. O capex somou R$ 6,2 milhões, alta de 15,8% na comparação anual, com recursos direcionados à modernização das plantas de biológicos e inoculantes. Na unidade de inoculantes, a companhia ampliou a área fermentativa para elevar a capacidade em 1,9 milhão de doses por mês. Os investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação somaram R$ 6,5 milhões no trimestre, equivalentes a 5,3% da receita líquida.
Segundo a Vittia, os aportes resultaram em quatro novas recomendações de uso para alvos biológicos e quatro novos Registros Especiais Temporários. O diretor financeiro e de Relações com Investidores, Alexandre Del Nero Frizzo, afirmou que a companhia mantém foco em solidez financeira e tecnologia. "Nossa estratégia, ancorada na solidez financeira, nos permite atravessar este período ainda mais fortalecidos e intensificando o desenvolvimento de tecnologias", disse. A Vittia avalia ampliar o programa de recompra de ações após reduzir a dívida líquida e preservar investimentos em inovação no primeiro trimestre, mesmo em um cenário de queda de receita e rentabilidade. Segundo o CFO e diretor de Relações com Investidores, Alexandre Del Nero Frizzo, a companhia adotou postura defensiva no ciclo atual do agronegócio, com foco em caixa, controle de despesas, disciplina de crédito e manutenção dos projetos considerados estratégicos.
“A gente está passando um momento difícil e está na defensiva. É aquele time no futebol que sabe o momento de atacar e sabe o momento de defender, para no final ganhar a partida”, disse. A empresa encerrou o primeiro trimestre com receita líquida de R$ 121,9 milhões, queda de 11,5% na comparação anual. O Ebitda ajustado ficou negativo em R$ 587 mil, ante resultado positivo de R$ 6,9 milhões no 1T25. O prejuízo líquido ajustado aumentou para R$ 5,9 milhões, ante resultado negativo de R$ 1,959 milhão um ano antes. Segundo Frizzo, a piora refletiu principalmente a queda do lucro bruto, causada por menor receita e redução de margem em um trimestre sazonalmente mais fraco. Mesmo com o resultado negativo, a dívida líquida caiu 19,9% ante o 1T25, para R$ 174,4 milhões. A dívida bruta recuou 4,7%, para R$ 224,4 milhões. A alavancagem ficou em 1,62 vez a relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado dos últimos 12 meses, praticamente em linha com 1,63 vez no 1T25.
O caixa e equivalentes somou R$ 50 milhões, alta de 182,5% na comparação anual. Frizzo destacou também a melhora no consumo de caixa operacional. As atividades operacionais consumiram R$ 14,6 milhões no trimestre, ante R$ 46,3 milhões em igual período de 2025, redução de 68,4%. Segundo ele, o primeiro trimestre costuma consumir caixa porque fica entre as vendas da safra e o recebimento pós-colheita, concentrado no fim de abril e em maio. “Como resultado dessa gestão financeira eficiente, conseguimos reduzir a dívida líquida em cerca de 20%, mesmo tendo pago mais de R$ 40 milhões para os acionistas nos últimos 12 meses”, afirmou. A Vittia destinou R$ 16,5 milhões a acionistas no primeiro trimestre, entre recompra de ações e pagamento de juros sobre capital próprio. Em 12 meses, foram R$ 42,7 milhões, dos quais R$ 25 milhões em proventos e R$ 17,7 milhões em recompra. No 1T26, a empresa recomprou R$ 5,3 milhões em ações, dentro do quinto programa de recompra.
Segundo Frizzo, a companhia avalia como ampliar a recompra sem interferir artificialmente no preço das ações. “Nossa ideia não é fazer preço no mercado, mas alocar da melhor forma possível o capital da companhia para maximizar o retorno dos acionistas”, afirmou. De acordo com o executivo, a ação da Vittia negocia com cerca de 20% de desconto em relação ao patrimônio líquido e a cerca de seis vezes o Ebitda realizado nos últimos 12 meses. O controle de despesas segue como um dos pontos de atenção da administração. O SG&A ajustado, que reúne despesas com vendas, gerais e administrativas, somou R$ 46,5 milhões no 1T26, alta de 3,4% na comparação anual, representando 38,1% da receita líquida. Frizzo disse que a companhia busca manter o crescimento nominal das despesas entre zero e a inflação, o que representa redução em termos reais. “O SG&A ajustado está dentro da nossa meta”, afirmou. A postura defensiva não significa corte nos projetos de inovação.
O capex somou R$ 6,2 milhões no trimestre, alta de 15,8%, e deve ficar perto de R$ 30 milhões no ano. Os dois principais projetos de 2026 são a modernização da planta de biológicos, com investimento total próximo de R$ 10 milhões, e a ampliação da capacidade de inoculantes, com cerca de R$ 6 milhões previstos. A expansão da área fermentativa deve adicionar 1,92 milhão de doses por mês. Frizzo afirmou que a Vittia tem flexibilidade financeira para fazer compras em preços diferenciados em um momento de volatilidade na cadeia de suprimentos, associada ao conflito no Oriente Médio. O CEO Wilson Romanini disse que a companhia mantém solidez financeira para atravessar o ciclo negativo do setor. “A gente continua firme. Entende que essa recuperação tem tendência a acontecer. Seguimos com uma empresa altamente racionalizada neste momento difícil do agro brasileiro”, afirmou. A operação da Vittia no México deve apresentar resultado positivo em 2026, em projeto desenvolvido há cerca de três anos, e pode servir de plataforma para expansão em outros países da América Latina, afirmaram executivos da empresa.
O avanço pode ganhar tração a partir de junho, quando a companhia espera a liberação de registros de defensivos biológicos que hoje limitam parte do avanço comercial da operação. O diretor de Inovação e Novos Negócios, Edgar Zanotto, disse que a comercialização dos fertilizantes já registrados segue dentro do planejado. A Vittia possui 13 produtos registrados no México e considera a programação comercial para este ano positiva. "O México está seguindo bem na parte de comercialização dos fertilizantes que a gente já tem registrados. A programação para o ano é boa e está acontecendo exatamente como planejamos", afirmou. Segundo Zanotto, os defensivos biológicos podem mudar o patamar da operação no segundo semestre. A companhia espera para junho a liberação dos registros, embora o executivo tenha ponderado que a aprovação depende de órgãos governamentais.
"O que pode mudar bastante as coisas de agora até o fim do ano é a expectativa de sair o registro dos defensivos biológicos. Aí a gente entende que pode começar a ter um resultado um pouco melhor", disse. O executivo afirmou que a operação foi orçada para encerrar 2026 no azul. "Já é uma operação que, pelo que orçamos, deve ter resultado positivo neste ano", afirmou. O CFO e diretor de Relações com Investidores, Alexandre Del Nero Frizzo, disse que o México ainda está em fase de complementação de portfólio e formação de equipe. A operação conta com nove profissionais. "É um projeto com expectativa alta, mas com visão mais de médio prazo. Este ano e o próximo ano a expectativa é ter algum retorno, mas ainda tímido quando a gente pensa na representatividade sobre o todo", disse. O CEO Wilson Romanini afirmou que a escolha do México envolveu parceria com empresa de distribuição bem-conceituada e pode abrir caminho para outros mercados latino-americanos.
Segundo ele, a Vittia já trabalha no desenvolvimento de registros em países como Guatemala e Panamá. "Já começamos a pensar no médio e longo prazo na questão México. Tem um ponto interessante, que é a expansão para a América Latina", disse. Romanini afirmou que o projeto já encontra equilíbrio neste ano. "É um projeto que está rodando há três anos e é interessante que já neste ano ele encontra equilíbrio e gere alguma contribuição. A gente entende que isso vai fazer diferença grande no futuro bem próximo", afirmou. A internacionalização está ligada ao foco da Vittia em biológicos e inovação. A empresa mantém 53 profissionais dedicados a pesquisa, desenvolvimento, mercado e assuntos regulatórios. Zanotto afirmou que a companhia não interrompeu investimentos nessa frente, mesmo com o ciclo difícil do agronegócio brasileiro. "Isso deixa a gente com segurança de que, na hora que esse mercado acelerar, vamos poder crescer de forma mais rápida", disse. Fonte: Broadcast Agro.