15/May/2026
A Boa Safra, produtora brasileira de sementes de soja, encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido consolidado de R$ 27,4 milhões, alta de 62% em relação a igual período do ano passado. O resultado, porém, foi elevado por um efeito não recorrente ligado à venda das cotas remanescentes que a empresa ainda possuía do SNAG11, Fiagro da Suno Asset. Sem esse impacto, o lucro líquido ex-SNAG11, usado pela companhia para comparar o desempenho recorrente do negócio, foi de R$ 3,7 milhões, queda de 36% em um ano. O diretor financeiro e de Relações com Investidores Felipe Marques afirmou que o lucro consolidado e o lucro ex-SNAG11 estão corretos, mas mostram leituras diferentes do trimestre. O primeiro inclui o efeito da saída do fundo. O segundo mostra o resultado das operações em continuidade, sem esse impacto pontual. "O que a gente fez foi dar comparabilidade, tirando a consolidação do SNAG11, para ter valores relativos comparáveis", disse.
A receita operacional líquida cresceu 20%, para R$ 132,1 milhões. O lucro bruto somou R$ 27,1 milhões, revertendo o resultado praticamente nulo registrado no primeiro trimestre de 2025, e a margem bruta passou para 21%. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) contábil ficou positivo em R$ 9,9 milhões, ante resultado negativo de R$ 15,5 milhões um ano antes. O Ebitda ajustado permaneceu negativo em R$ 25,4 milhões, mas melhorou ante os R$ 38,7 milhões negativos do primeiro trimestre do ano passado. Segundo o CEO da Boa Safra, Marino Colpo, o primeiro trimestre tem peso pequeno no desempenho anual da companhia, porque a maior parte das entregas de sementes de soja ocorre no segundo semestre. "O resultado do primeiro trimestre não é o número que faz a grande diferença do ano, mas isso ocorre pela razão do nosso negócio", afirmou. Segundo ele, a empresa tem ampliado o mix de culturas para tornar o início do ano mais relevante no faturamento.
A carteira de pedidos somou cerca de R$ 1,5 bilhão no fim de março, recorde para um primeiro trimestre e aproximadamente R$ 100 milhões acima do registrado em igual período de 2025. Para Colpo, esse é o principal sinal positivo do balanço. "A notícia boa do balanço é a carteira de pedidos. Ela não deixa de ser um guia para o que vai ocorrer ao longo do ano", disse. O avanço da receita também refletiu o crescimento das operações além da soja. A receita líquida de novas culturas, serviços e insumos somou R$ 82 milhões no trimestre, alta de 31% ante o 1T25, e representou 76% do total de vendas de sementes no período. Para Marques, o desempenho mostra que a diversificação passou a ter peso maior no início do ano. "A maior receita do trimestre veio de outros negócios, e não de semente de soja. Isso é algo inédito na companhia", afirmou. A pressão sobre o lucro ex-SNAG11 veio principalmente do resultado financeiro.
As despesas financeiras cresceram 78%, para R$ 79,3 milhões, e os juros sobre empréstimos passaram de R$ 18,6 milhões para R$ 57,6 milhões, com a incorporação dos encargos dos certificados de recebíveis do agronegócio emitidos em janeiro e setembro de 2025. Essas operações aumentaram o custo financeiro no curto prazo, mas também alongaram o perfil da dívida da companhia. A dívida líquida consolidada encerrou março em R$ 848,4 milhões, ante R$ 519,2 milhões no primeiro trimestre de 2025. O caixa e as aplicações financeiras somaram R$ 777,2 milhões. Da dívida bruta de R$ 1,63 bilhão, apenas R$ 61,7 milhões vencem em menos de um ano. O diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Boa Safra, Felipe Marques, afirma que o mercado brasileiro de sementes de soja deve operar em 2026 com a maior restrição de oferta desde a abertura de capital da companhia na B3, em 2021. Chuvas excessivas durante a colheita da safra 2025/26 comprometeram parte dos campos destinados à produção, e o volume que não foi formado não tem como ser reposto.
"A semente do Brasil é produzida agora e ela é que define a oferta. O que não foi produzido não tem uma segunda chance", disse. Segundo Marques, a dinâmica do mercado de sementes é diferente da observada em outros insumos. Fertilizantes e defensivos agrícolas podem ser importados, ainda que com custo maior ou algum atraso logístico. Com sementes, a janela de produção está limitada ao ciclo agrícola e não admite reposição. "Defensivo pode vir um pouquinho mais caro, mas ele chega até aqui. Semente não", afirmou. Pelo lado da demanda, a área plantada de soja no Brasil cresce de forma praticamente ininterrupta desde a safra 2007/08, o que sustenta a necessidade de sementes independentemente do ciclo econômico. "A demanda por semente no Brasil não muda e a oferta vai ser bem restrita", explicou. Antecipando esse cenário, o executivo disse que a Boa Safra ampliou a área contratada para produção de sementes de cerca de 274 mil hectares no ciclo anterior para aproximadamente 320 mil hectares na safra 2025/26, mantendo a capacidade instalada de beneficiamento em 280 mil big bags.
"A gente cresceu quase 50 mil hectares em campo de semente, mesmo com a mesma capacidade instalada, justamente para ter flexibilidade operacional", afirmou. A ampliação da área funcionou como reserva em um ano de colheita mais complicada. Segundo Marques, a Boa Safra adotou postura mais restritiva na entrada da matéria-prima, descartando lotes fora do padrão antes da internalização. A mudança contrasta com o que ocorreu em 2025, quando parte do volume entrou no processo produtivo e depois precisou ser vendida como grão, a preço inferior, após não atingir os critérios de qualidade. "O nosso padrão de qualidade é inegociável. Se não tinha a nossa qualidade, o lote nem chegou a entrar no nosso estoque", disse. A internalização da matéria-prima ainda não estava concluída no fim do primeiro trimestre, com parte do processo prevista para o segundo trimestre. O volume total será divulgado na próxima apresentação de resultados.
Marques avaliou que a expansão da área deixa a companhia bem-posicionada para atender a demanda num ano de oferta mais restrita. "A gente nunca teve na história uma reserva tão grande. E, como é um cenário de menos oferta de semente, acho que ninguém cresceu na proporção que a gente cresceu", concluiu. Marino Colpo afirma que a carteira de pedidos de cerca de R$ 1,5 bilhão registrada no primeiro trimestre de 2026 reflete a combinação de recompra por clientes já atendidos, ampliação da base comercial e busca de produtores e revendas por fornecedores com solidez financeira e capacidade de entrega. O volume é recorde para um primeiro trimestre e supera em aproximadamente R$ 100 milhões o registrado em igual período de 2025. "Muitos produtores têm visto a Boa Safra como um porto seguro", disse. Segundo Colpo, o ambiente de custos mais altos no campo tornou a compra de sementes mais criteriosa.
Fertilizantes, defensivos agrícolas, frete e sementes ficaram mais caros no ciclo, pressionando a margem dos produtores rurais. Nesse cenário, segundo ele, clientes têm priorizado fornecedores capazes de garantir qualidade, volume e entrega. "A gente tem feito cálculos com clientes e produtores e está todo mundo muito preocupado com as margens. Todos os insumos subiram este ano", afirmou. O executivo disse ainda que o avanço da carteira ocorre apesar de um mercado mais lento e de produtores mais cautelosos. Para ele, a solidez do balanço da Boa Safra e o histórico recente de entrega ajudaram a sustentar as vendas. "Muitos clientes, apesar da margem apertada, estão buscando qualidade ou uma empresa em que confiam". A formação da carteira também reflete a expansão comercial conduzida nos últimos anos. Quando abriu o capital na B3, em 2021, a Boa Safra tinha 308 revendas ativas. No ciclo 2024/25, chegou a cerca de 900, em um universo estimado de 1.200 revendas no País.
A estratégia incluiu reforço da equipe de vendas, lançamento de novas marcas e ampliação dos canais de acesso ao produtor. "A gente fez um movimento acertadíssimo de aumentar a equipe comercial e expandir", afirmou Colpo. Para o CEO, os saltos de crescimento da base tendem a ser menores adiante, porque a companhia já atende parte relevante do mercado disponível. O avanço da carteira, segundo ele, passa agora mais pela recompra e pelo relacionamento com clientes que já compraram da Boa Safra em ciclos anteriores. "Os clientes compraram no ano passado, ficaram satisfeitos com a entrega, ficaram satisfeitos com o produto e estão recomprando", disse. Colpo disse também que a carteira funciona como um indicativo do faturamento esperado para os próximos trimestres, especialmente porque a maior parte das entregas de sementes de soja ocorre no segundo semestre. A Boa Safra espera um faturamento um pouco maior em 2026, apesar de não divulgar projeção formal. "A carteira de pedidos não deixa de ser um guia para o que vai ocorrer ao longo do ano", afirmou.
A Boa Safra espera recompor margens em 2026 com preços mais altos de sementes, redução das sobras de produção e ganhos de eficiência operacional, afirmaram o CEO, Marino Colpo, e o diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Felipe Marques. A avaliação ocorre após um ciclo de excesso de oferta no setor e perdas de eficiência em 2025, mas em um ambiente agora marcado por menor disponibilidade de sementes para a safra 2026/27. “A gente está com uma perspectiva muito boa, principalmente pela captura de maior preço na própria semente, dada uma restrição de oferta”, disse Colpo. Segundo o executivo, a companhia já vendeu parte da carteira antes da alta mais recente de preços, especialmente em janeiro e fevereiro, mas passou a capturar valores melhores nas negociações feitas depois. “Uma parte do volume acabou não capturando essa alta dos preços. Na outra parte, a gente já está capturando”, afirmou.
Para Colpo, 2026 tende a ser um ano mais positivo em preço e margem do que em volume. “A gente tem tentado operar com uma margem um pouco melhor. Acho que vai ser um ano positivo, não positivo em volume, mas positivo em margem e em preço”, disse. A restrição de oferta está ligada ao clima e ao ajuste do próprio setor após um ciclo de sobras. A Boa Safra informou que a safra 2025/26 teve chuvas irregulares e volumes excessivos em regiões produtoras relevantes, o que reduziu a disponibilidade efetiva de sementes. Para mitigar esse risco, a companhia ampliou a área contratada de produção de sementes de cerca de 274 mil hectares no ciclo anterior para aproximadamente 320 mil hectares, mantendo a capacidade produtiva de soja em 280 mil big bags. Colpo afirmou que a sobra de sementes foi um dos principais fatores de pressão sobre a margem bruta em 2025. Segundo ele, a Boa Safra produziu cerca de 280 mil big bags no ciclo passado e vendeu pouco mais de 210 mil, deixando um excedente próximo de 70 mil big bags, ou cerca de 30% da produção.
O nível ficou acima do histórico da companhia, que costuma variar entre 17% e 20%. “Sempre que a sobra baixa, a nossa margem cresce muito. Quando sobra muita semente, a nossa margem cai”, disse. Para este ano, a estratégia é manter volume semelhante, vender mais e reduzir o excedente. “A gente veio com a ideia do mesmo volume e vender mais. Se tudo correr bem, deve terminar o ano com níveis de sobras muito mais baixos, o que já melhora a margem”, afirmou Colpo. Segundo ele, a combinação de sobras menores e preços mais altos pode levar a companhia de volta a níveis de margem mais próximos do histórico. “Tudo nos mostra que a administração está confiante de que deve voltar aos níveis de margem mais históricos da companhia”, disse. Marques afirmou que a restrição de oferta e a melhora de preços não se limitam à soja. Segundo ele, a companhia observa preços mais altos em várias culturas de sementes, em virtude da crise enfrentada pelo setor e do efeito climático sobre a produção. “A gente está vendo em várias culturas de sementes uma restrição de oferta pela crise que passou o setor, agravada pela questão climática”, afirmou.
Para o diretor financeiro, esse cenário deve favorecer rentabilidade e geração de caixa. A melhora esperada ocorre em um momento em que a Boa Safra reduziu a necessidade de capital para expansão em sementes de soja. Marques disse que a companhia “pisou no freio” no crescimento desse segmento e manteve a capacidade instalada, o que diminui a demanda por capital de giro. “Este ano não demanda capital por uma questão de crescimento. Isso facilita muito a geração de caixa”, afirmou. Segundo ele, os demais negócios seguem crescendo, mas têm menor peso financeiro do que a operação de sementes de soja. A carteira de pedidos somou cerca de R$ 1,5 bilhão no fim de março, recorde para um primeiro trimestre, dos quais R$ 1,31 bilhão em soja. Colpo disse que as vendas avançam apesar de um mercado mais lento e de produtores com margens pressionadas por fertilizantes, defensivos e sementes mais caros. Para ele, a solidez da Boa Safra tem ajudado a companhia a capturar demanda em um setor que passou por recuperações judiciais.
“Tem uma desconfiança grande. O produtor e a revenda não estão se sentindo tão seguros de mandar dinheiro para muitos dos nossos concorrentes”, afirmou. A Boa Safra informou que não registrou surpresas relevantes na inadimplência, até o momento, e espera encerrar o ciclo de recebimentos em linha com os últimos dois anos, mesmo em um ambiente de margens apertadas para produtores rurais e dificuldades financeiras em parte do setor de sementes. O CEO e cofundador Marino Colpo disse que a estratégia de pulverizar a base de clientes, adotada nos últimos anos, foi decisiva para reduzir a exposição a grandes contas que depois enfrentaram problemas financeiros. "Caso a companhia não tivesse feito isso, a gente poderia estar com problemas no dia de hoje", afirmou. Colpo reconheceu que há postergações pontuais nos pagamentos, mas avaliou que o perfil é diferente de um calote concentrado. Segundo ele, clientes têm quitado obrigações em partes, com pagamentos diários e parciais. "Ninguém vai pagar 30%, 40%, 50% em uma conta e vai pedir recuperação judicial na outra semana", disse.
As duas principais datas de concentração de recebimentos são 30 de abril e 20 de maio. O retrato completo da carteira deve ser conhecido ao longo do segundo trimestre, mas a administração diz estar confiante em um resultado em linha com anos anteriores. A atenção ao crédito ocorre em um momento em que o mercado de sementes opera em ritmo mais lento. Colpo afirmou que a margem do produtor rural para a próxima safra 2026/27 está pressionada pela combinação de fertilizantes mais caros, defensivos reajustados e sementes com preços mais elevados, enquanto a cotação da soja futura segue em nível baixo. "O produtor que quer fazer todo o negócio travado está bastante comprimido. Ele não tem pressa para fazer mau negócio", disse. Apesar disso, a Boa Safra encerrou março com carteira de pedidos de cerca de R$ 1,5 bilhão, recorde para um primeiro trimestre, dos quais R$ 1,31 bilhão em soja. Em 2021, a companhia atendia cerca de 300 revendas, com maior concentração em grandes contas. No ciclo 2024/25, chegou a 996 clientes.
Segundo Colpo, a ampliação da base reduziu a exposição da Boa Safra a grupos que passaram por dificuldades financeiras, incluindo recuperações judiciais, nos últimos anos. "Dessas recuperações judiciais que tiveram, a gente passou ileso em todas nos últimos dois anos", disse. O diretor Financeiro e de Relações com Investidores Felipe Marques reforçou que a carteira atual não apresenta concentração relevante de risco. Segundo ele, o trabalho de garantias e de relacionamento construído com os clientes ao longo do tempo ajuda a manter a inadimplência da companhia abaixo da média do setor. "A nossa carteira hoje está muito mais pulverizada. Olhando o retrato dela hoje, não tem nada que nos preocupe que seja um risco relevante para a empresa", afirmou. Marques acrescentou que a Boa Safra passou a usar sua posição no mercado para impor condições comerciais mais rígidas. Com 10% de participação em sementes de soja e portfólio amplo, a companhia tornou-se fornecedor estratégico para revendas que dependem da marca para fechar sua própria carteira de vendas. "A semente é 15% do total do que o cliente compra, mas é puxador de pedido. Uma ruptura prejudicaria muitos negócios", afirmou. Fonte: Broadcast Agro.