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12/May/2026

Kepler Weber divulga resultado do 1º trimestre/26

A Kepler Weber encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 17,1 milhões, queda de 33,0% em relação a igual período de 2025. A receita líquida somou R$ 318,1 milhões, retração de 10,9% na comparação anual, e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) totalizou R$ 33,7 milhões, queda de 36,4%, com margem de 10,6%. Segundo a companhia, o desempenho refletiu menor volume no segmento de Fazendas, parcialmente compensado pelo avanço de Agroindústrias e de Negócios Internacionais. A administração atribuiu o trimestre a um cenário de crédito mais restritivo, seletivo e caro no agronegócio, com ciclos de decisão mais longos e margens pressionadas para produtores rurais. O CEO da Kepler Weber, Bernardo Nogueira, avaliou que o desempenho ficou dentro do esperado diante do momento do agronegócio. “A gente fica satisfeito com manutenção da receita, na ordem de uma queda de 11%. Em vista de tudo que a gente vê no mercado, é um resultado satisfatório”, afirmou. Segundo ele, a retração também reflete a mudança no mix de faturamento, com maior peso de Agroindústrias, segmento em que os contratos têm prazo de execução mais longo. “A gente fechou mais negócios de agroindústrias”, disse. Para 2026, a administração espera reduzir a diferença de receita ante 2025 para um dígito. Fazendas, segmento voltado a produtores rurais, registrou receita líquida de R$ 86,6 milhões, queda de 34,2% na comparação anual, com margem bruta de 18,5%, recuo de 3%.

Segundo a companhia, o desempenho refletiu menor rentabilidade do produtor, com impacto sobre o volume de projetos contratados e o tíquete médio. Nogueira afirmou que as compras estão concentradas nos agricultores mais estruturados. "Quem está comprando agora, nesse momento, são grandes agricultores", disse. Agroindústrias somou R$ 105,1 milhões, alta de 4,2% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e de 18,8% ante o quarto trimestre. A área atende cerealistas, cooperativas e indústrias de transformação de grãos em projetos de armazenagem, beneficiamento, alimentos, rações e biocombustíveis. "A gente vai ver (o segmento de) agroindústrias acelerar durante o ano. Já no próximo trimestre devemos crescer dois dígitos em agroindústria e, no ano, crescer dois dígitos em agroindústria", afirmou Nogueira. Negócios Internacionais teve receita líquida de R$ 60,2 milhões, alta de 47,1% na comparação anual, no melhor primeiro trimestre da história do segmento, segundo a companhia. O resultado foi impulsionado por um projeto de grande porte na Venezuela e por vendas para Paraguai, Bolívia, Colômbia e Argentina. A administração não espera que o ritmo se repita ao longo do ano. "Se a gente igualar 2025 em negócios internacionais, estamos bastante satisfeitos", afirmou Nogueira. Portos e Terminais registrou receita de R$ 4,9 milhões, queda de 54,2%, em razão da concentração de contratos de grande porte em trimestres específicos. Reposição e Serviços somou R$ 61,2 milhões, recuo de 16,4%, mas a margem bruta subiu 3,7 pontos porcentuais, para 37,3%.

A área, voltada a peças, reformas, modernizações e suporte a unidades já instaladas, é menos dependente de novos projetos. “Quando a gente fala de resiliência, o segmento é a nossa maior carta”, afirmou Nogueira. O diretor financeiro e de Relações com Investidores, Renato Arroyo, atribuiu a queda do Ebitda à redução do lucro bruto, pressionado por menor receita e margens mais apertadas nos segmentos, e não a aumento relevante da estrutura de despesas. Segundo ele, os custos administrativos e estruturais ficaram próximos aos do ano anterior. “A companhia há anos vem tendo essa dinâmica e essa resiliência de custos, de controlar custos, mas a gente não consegue atenuar o efeito da redução do lucro bruto”, afirmou. As despesas gerais e administrativas cresceram 4,1%, para R$ 23,5 milhões, em linha com a inflação, enquanto as despesas com vendas recuaram 2,1%, para R$ 24,8 milhões. O custo dos produtos vendidos somou R$ 251,8 milhões, queda de 7,5%, mas subiu como proporção da receita, de 76,2% para 79,2%. A Kepler Weber encerrou março com caixa líquido positivo de R$ 56,6 milhões, ante R$ 1,3 milhão ao fim de 2025. A geração operacional de caixa foi positiva em R$ 28,2 milhões, e o capital de giro contribuiu com R$ 42,3 milhões. O retorno sobre o capital investido (ROIC) ficou em 21,4%. Segundo a companhia, o indicador segue acima do custo de capital. "Vale aqui a mensagem da resiliência da Kepler, de gerar caixa mesmo no momento mais adverso", afirmou Arroyo. Os biocombustíveis respondem, direta ou indiretamente, por cerca de metade da receita de Agroindústrias da Kepler Weber, afirmou o diretor-presidente da companhia, Bernardo Nogueira.

A divisão reúne equipamentos e estruturas para cooperativas, cerealistas e indústrias que armazenam e processam grãos para produção de alimentos, rações, etanol e biodiesel. “Eu diria que 50% do nosso faturamento de Agroindústrias hoje está relacionado direta ou indiretamente com biocombustível”, disse. O executivo citou projetos de etanol de milho e de trigo e uma iniciativa associada à Cocamar, que anunciou em 2025 investimento de R$ 750 milhões em uma nova esmagadora de soja em Maringá (PR), com reflexos na produção de farelo, óleo de soja e biodiesel. No primeiro trimestre, a receita líquida de Agroindústrias somou R$ 105,1 milhões, alta de 4,2% em relação ao mesmo período de 2025 e de 18,8% ante o quarto trimestre do ano passado. A área passou a representar 33,0% da receita total da Kepler Weber, ante 28,2% um ano antes. No período, foram fechados cerca de R$ 60,7 milhões em novos contratos, principalmente nas Regiões Sul e Sudeste. Nogueira afirmou que a divisão deve ganhar ritmo ao longo do ano. “A gente vai ver agroindústrias acelerando durante o ano. Já no próximo trimestre devemos crescer dois dígitos em agroindústria e, no ano, crescer dois dígitos em agroindústria”, disse. A carteira contratada de Agroindústrias cresceu cerca de 56% ante o mesmo período de 2025, enquanto o segmento de Fazendas, mais ligado ao investimento direto de produtores rurais, recuou aproximadamente 26%. Segundo Nogueira, a carteira atual da Kepler Weber está mais voltada à indústria. “O nosso pipeline está bem enviesado à indústria. Nossa carteira de negócios está crescendo versus esse momento do ano passado. A gente entrou em abril com mais negócios em carteira do que a gente tinha em abril de 2025”, afirmou.

O avanço de Agroindústrias ajuda a compensar a retração em Fazendas, cuja receita caiu 34,2% no primeiro trimestre. Segundo a companhia, produtores rurais estão mais cautelosos para investir por causa de margens menores e crédito mais seletivo. A mudança aumenta o peso de clientes industriais e cooperativas, que costumam fazer obras maiores e com prazo de execução mais longo. A margem bruta de Agroindústrias foi de 16%, queda de 0,9 ponto porcentual na comparação anual. Segundo a Kepler Weber, o resultado refletiu maior competição, perfil dos contratos executados e ajustes comerciais. Para Nogueira, os clientes que seguem investindo buscam reduzir custos e ganhar eficiência. “O cliente que está comprando, ele está comprando algo que vai reduzir o custo dele”, afirmou. Segundo ele, a engenharia da companhia tem trabalhado no desenvolvimento de soluções com esse foco. A participação de novos produtos na receita líquida subiu de 2% para 5% em um ano. A Kepler Weber teve no segmento Negócios Internacionais o melhor primeiro trimestre de sua história, impulsionado pelo faturamento de um projeto de grande porte na Venezuela. Mas o ritmo não deve ser manter ao longo de 2026, segundo o diretor-presidente da Kepler Weber, Bernardo Nogueira. A receita líquida do segmento somou R$ 60,2 milhões no período, alta de 47,1% ante igual intervalo de 2025. “O primeiro trimestre foi recorde. Um grande projeto vendido para a Venezuela foi faturado, em grande parte, no primeiro trimestre”, afirmou.

Segundo ele, o segundo trimestre não terá um pedido de porte semelhante, e a meta da área de exportação é repetir o desempenho de 2025, ano já considerado forte pela companhia. O avanço também contou com vendas para Paraguai, Bolívia, Colômbia e Argentina. Segundo a companhia, Negócios Internacionais passou a representar 18,9% da receita líquida total da Kepler Weber, ante 11,4% no primeiro trimestre de 2025. A margem bruta do segmento, porém, caiu de 29,0% para 17,1%, movimento atribuído pela empresa à valorização do real e ao perfil dos contratos executados. O diretor financeiro e de Relações com Investidores, Renato Arroyo, disse que o câmbio afetou a rentabilidade das exportações no curto prazo. “Ele machuca, sem dúvida, o negócio internacional”, afirmou. Segundo ele, parte desse efeito pode ser compensada adiante, porque a companhia também importa insumos em dólar. Na Argentina, a Kepler Weber espera repetir neste ano o desempenho de 2025. Nogueira afirmou que a receita no país saiu de zero em 2023 para US$ 1 milhão em 2024 e US$ 10 milhões no ano passado. O executivo citou melhora no crédito, redução de impostos sobre exportações agrícolas e retomada de investimentos como fatores positivos, mas ponderou que produtores argentinos também enfrentam margens apertadas em soja, milho e arroz. Segundo Nogueira, a Argentina segue relevante porque ficou 'paralisada' por duas décadas e está próxima da base industrial da companhia em Panambi (RS).

“A Argentina está um pouco sucateada, poucos investimentos nos últimos 20 anos, então tem bastante coisa a ser feito e por isso que a gente quer estar presente”, afirmou. A Kepler Weber avalia que a deterioração do ambiente para o agronegócio é conjuntural, mas reconhece que juros elevados, crédito restrito e margens menores dos produtores rurais vêm alongando decisões de investimento no campo. A leitura foi apresentada pelo diretor-presidente da companhia, Bernardo Nogueira, em teleconferência com analistas nesta segunda-feira, após a empresa reportar queda de 33,0% no lucro líquido do primeiro trimestre, para R$ 17,1 milhões, e retração de 10,9% na receita líquida, para R$ 318,1 milhões. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 33,7 milhões, recuo de 36,4%, com margem de 10,6%. Nogueira comparou o cenário atual ao ciclo de 2021 a 2023, quando a alta dos preços agrícolas antecedeu a escalada dos custos e elevou a rentabilidade dos clientes. “A gente viu uma tempestade favorável em 2021, 2022, 2023”, afirmou. “Hoje, a gente tem a necessidade, o que garante um backlog ainda robusto, mas a disponibilidade de caixa desapareceu.” Segundo ele, o quadro atual combina baixa rentabilidade, juros altos e crédito restrito. “A tempestade perfeita positiva de 2021 a 2023 se tornou uma tempestade perfeita invertida agora”, disse. O executivo afirmou que esse ambiente já estava presente antes da intensificação das tensões no Oriente Médio, mas que o conflito adiciona pressão sobre custos.

“Isso já estava posto antes da guerra no Irã. O que a guerra traz agora é uma pressão ainda maior na questão de rentabilidade”, disse. Segundo Nogueira, a companhia já ouve relatos de alta em adubo e fertilizantes, sem reação equivalente nos preços da soja. Ele também citou o risco de a pressão sobre combustíveis postergar a queda dos juros, por causa do impacto inflacionário. O impacto direto apareceu no segmento de Fazendas, voltado a produtores rurais, cuja receita recuou 34,2% no trimestre, para R$ 86,6 milhões, com margem bruta de 18,5%. O diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Renato Arroyo, ponderou que a companhia opera hoje em condições melhores do que em ciclos adversos anteriores. Ao comparar o momento atual a 2015 e 2016, disse que, naquele período, a Kepler entregava resultado “muito mais ineficiente”. “A gente entende que é um momento conjuntural e que no momento em que as alavancas sistêmicas do nosso setor voltarem a funcionar, a gente tem capacidade de entregar resultados melhores”, afirmou. O contrapeso veio de Agroindústrias, principal segmento da companhia no trimestre, com receita de R$ 105,1 milhões, alta de 4,2% ante igual período de 2025 e de 18,8% em relação ao quarto trimestre. Nogueira disse que as margens mais apertadas no campo não se transferem automaticamente para a indústria. “Olhando aqui particularmente biocombustíveis e rações”, afirmou. “A gente vê aí nossos clientes que estão trabalhando com biodiesel e etanol de milho com margens bastante saudáveis.”

Segundo ele, biocombustíveis têm ajudado a sustentar a demanda, com novos projetos esperados ao longo de 2026 e em 2027. As cooperativas também sustentam a carteira de Agroindústrias, segundo Nogueira, por causa da necessidade de ampliar estruturas para atender volumes crescentes de cooperados. O executivo citou a expansão de cooperativas do Paraná para Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. “Quando existe menos investimento por outros segmentos é o momento que elas entram fazendo seus investimentos de forma mais forte”, afirmou. A carteira contratada de Agroindústrias cresceu cerca de 56% ante o mesmo período de 2025, enquanto a de Fazendas recuou aproximadamente 26%. Para o segundo trimestre, a administração espera crescimento de dois dígitos em Agroindústrias. Em Portos e Terminais, a receita caiu 54,2%, para R$ 4,9 milhões, reflexo da concentração de contratos em trimestres específicos. Nogueira disse que o segmento tem poucos clientes por ano, o que aumenta a volatilidade dos resultados. “Em agroindústria, nós temos centenas de clientes, em portos e terminais por ano nós temos uma dúzia de clientes. Em alguns anos, meia dúzia de clientes”, afirmou. “A gente pode estar vendo uma queda de 50%, no segundo semestre a gente pode ver um crescimento de 50% em algum trimestre.”

Segundo ele, a rentabilidade da divisão é mais apertada que em Fazendas, por causa da complexidade dos projetos e da concorrência, mas a companhia segue focada no segmento. A Kepler Weber avalia que a compra direta de aço junto a usinas brasileiras reduz a exposição da companhia a oscilações bruscas da matéria-prima e melhora seu posicionamento em relação a concorrentes mais dependentes de distribuidores ou de importações da China. É o que disse o diretor-presidente da companhia. Segundo Nogueira, a empresa alinha as compras da matéria-prima aos contratos já firmados para evitar exposição desnecessária a variações de preço. "A gente tem uma visibilidade do nosso backlog", disse, em referência à carteira de contratos já fechados e ainda não executados. Segundo ele, a companhia também já compra antecipadamente parte dos itens necessários para atender esses projetos. "A gente nunca está exposto a uma grande variação do aço, seja para cima ou para baixo", afirmou. A discussão ocorreu em um trimestre de margens pressionadas. O custo dos produtos vendidos somou R$ 251,8 milhões no período, queda de 7,5% ante igual intervalo de 2025, mas passou a representar 79,2% da receita líquida, ante 76,2% um ano antes. Segundo a companhia, o aumento proporcional refletiu o mix de projetos reconhecidos no trimestre, com maior complexidade e condições comerciais mais competitivas, e não uma deterioração estrutural da eficiência operacional.

Nogueira afirmou que o volume da Kepler Weber permite acesso direto aos principais fornecedores nacionais de aço. "A Kepler, pelo seu volume, tem relacionamento e compra direto das usinas, os principais fornecedores do Brasil", disse. Segundo ele, parte dos concorrentes menores compra por meio de distribuidores ou recorre a importações chinesas, modelo que ficou menos competitivo no cenário atual. "O que a gente vê nesse momento, tanto pelo anti-dumping, que torna importar da China mais complicado, quanto pelos fretes marítimos mais caros, é uma competitividade menor de quem depende mais do fornecimento chinês", afirmou. "A gente está de novo bem-posicionado no cenário de suprimentos", disse. O posicionamento ganha relevância porque o ambiente de custos no agronegócio deve permanecer pressionado nos próximos meses. Na mesma teleconferência, Nogueira alertou que fertilizantes já apresentam alta sem reação equivalente nos preços da soja, e citou o risco de o conflito no Oriente Médio postergar a queda dos juros no Brasil. Para 2026, a administração projeta reduzir a queda de receita em relação ao ano anterior para um dígito percentual, sustentada pela aceleração esperada de Agroindústrias a partir do segundo trimestre. Fonte: Broadcast Agro.