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06/May/2026

Fertilizantes: relação de troca no pior nível em 20 anos

A relação de troca entre fertilizantes e commodities agrícolas atingiu o pior nível dos últimos 20 anos, refletindo deterioração significativa do poder de compra do produtor brasileiro, conforme análise do consultor Carlos Cogo. O movimento resulta da combinação entre a alta dos preços dos insumos, impulsionada pela guerra no Oriente Médio iniciada em fevereiro de 2026, e a fraqueza relativa das cotações agrícolas, especialmente da soja e do milho. O quadro atual representa uma ruptura em relação a ciclos recentes. Durante a guerra entre Rússia e Ucrânia, embora os fertilizantes também tenham registrado elevação expressiva, os preços das commodities estavam em patamares elevados, sustentando a relação de troca e preservando margens no campo.

No cenário atual, a perda de poder de compra é mais acentuada, pois ocorre simultaneamente a custos elevados e receitas pressionadas, caracterizando um ambiente de compressão de rentabilidade. A deterioração atinge de forma transversal os principais nutrientes, incluindo fosfatados utilizados na soja e ureia empregada no milho, indicando impacto sistêmico sobre o custo de produção. Esse movimento é amplificado pela estrutura do mercado brasileiro, altamente dependente de importações, o que intensifica a transmissão de choques internacionais para os preços domésticos. Mesmo em um cenário de eventual arrefecimento das tensões geopolíticas, a expectativa é de ajuste lento nos preços dos fertilizantes.

A desorganização das cadeias globais, com destruição de infraestrutura, interrupção de fluxos logísticos e paralisação de unidades produtivas, tende a prolongar o ciclo de custos elevados, reduzindo a velocidade de recomposição das margens agrícolas. No curto prazo, o comportamento do produtor reforça o caráter defensivo do ciclo. Entre 65% e 70% do mercado de fertilizantes permanece em aberto, indicando postergação das decisões de compra e elevada incerteza quanto à estratégia de manejo para a próxima safra. A possibilidade de redução no uso de insumos já é considerada pela indústria, com potencial impacto direto sobre produtividade e desempenho das lavouras. Esse cenário se conecta a um ambiente macroeconômico mais restritivo, marcado por juros elevados e limitação de crédito, ampliando a dificuldade de financiamento da produção.

Avaliações do setor indicam que o momento atual configura um dos mais complexos das últimas décadas, combinando pressão de custos, restrição financeira e incerteza sobre preços agrícolas. Do ponto de vista prospectivo, o risco agronômico também se eleva. A possibilidade de ocorrência de fenômeno climático como El Niño adiciona volatilidade à produção, especialmente em regiões mais sensíveis a variações de chuva, o que pode amplificar os efeitos de uma eventual redução no uso de fertilizantes. A piora histórica da relação de troca reflete um desalinhamento entre custos e receitas que tende a redefinir decisões produtivas no curto prazo. O ajuste pode ocorrer via redução de tecnologia empregada, postergação de compras e maior seletividade no uso de insumos, com impactos potenciais sobre produtividade, oferta agrícola e dinâmica de preços nas próximas safras. Fonte: TheAgriBiz. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.