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30/Apr/2026

Fertilizantes: preços continuarão elevados em 2026

Segundo o Rabobank, mesmo com uma possível reabertura do Estreito de Ormuz, os preços dos fertilizantes não devem recuar com rapidez. A combinação de perda de oferta, demanda represada e gargalos logísticos deve manter o mercado apertado e pressionar os custos agrícolas ao menos até 2027. O Estreito é o principal corredor global de fertilizantes e concentra cerca de 30% das exportações mundiais de ureia, 20% da amônia e dos fosfatos mais negociados e quase metade do enxofre, insumo essencial para a produção de fosfatados. Com a Rússia também fora do mercado de enxofre, mais de metade da oferta global do produto enfrenta restrições logísticas. Os preços já refletem esse aperto. A ureia no Golfo dos Estados Unidos acumula alta de cerca de 40% desde o início do conflito e de 77% no ano. Para os fosfatos, a expectativa do Rabobank é de preços elevados ao longo de 2027.

Mesmo com cerca de 900 mil toneladas de ureia já embarcadas e retidas na região, prontas para seguir viagem após a reabertura da rota, o volume não deve aliviar o mercado no curto prazo. A demanda acumulada tende a absorver rapidamente esses carregamentos. A Índia reforça esse quadro: o país lançou nova licitação para compra de 2,5 milhões de toneladas de ureia e deve importar entre 9 milhões e 10 milhões de toneladas no ano. Do lado da oferta, as perdas se acumulam. A Argélia opera com cerca de metade da capacidade, enquanto o grupo OCP, maior produtor de fosfatos do Norte da África, antecipou manutenções e deve reduzir a produção em cerca de 30% no segundo trimestre. Na China, as plantas de fosfato operam com taxa de utilização próxima de 44% e margens negativas.

No campo, o impacto já aparece nas decisões de plantio do Hemisfério Sul. Na Austrália, a área de trigo deve cair entre 15% e 20%. Na Argentina, a redução estimada é de 5% a 10%, com risco adicional de queda de produtividade. O Rabobank projeta déficit global de cerca de 9 milhões de toneladas de trigo na safra 2026/27, ainda compensado por excedente de aproximadamente 20 milhões de toneladas acumulado no ciclo atual. Quanto mais tempo o Estreito de Ormuz ficar fechado, maior esse déficit pode ficar. A previsão é de que o Estreito permaneça fechado por mais uma a três semanas. O Programa Mundial de Alimentos da ONU calcula que, se a via seguir bloqueada até meados de 2026, até 45 milhões de pessoas adicionais podem enfrentar insegurança alimentar aguda, além das 318 milhões já em situação de crise ao fim de 2025. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.