27/Apr/2026
A projeção de queda nas vendas de máquinas agrícolas em 2026 indica a continuidade de um ciclo de retração no setor, que pode chegar ao quinto ano consecutivo. A estimativa é de comercialização de 46,7 mil unidades, com recuo de 6,2% em relação a 2025 e impacto de cerca de 8% no faturamento da indústria. Esse desempenho reflete principalmente a perda de rentabilidade do produtor rural e as dificuldades de acesso ao crédito, agravadas por taxas de juros elevadas, atualmente em 14,75% ao ano, que limitam investimentos e renovação de frota.
O cenário internacional também contribui para esse ambiente adverso, com tensões geopolíticas elevando os custos de insumos essenciais, como fertilizantes e diesel, pressionando ainda mais as margens no campo. Além disso, a queda recente do dólar e dos preços das commodities reduziu a capacidade de investimento dos produtores, levando ao adiamento da compra de máquinas. No primeiro bimestre de 2026, as vendas já acumulam queda de 17%, reforçando a tendência negativa para o ano.
Outro fator relevante é o aumento da concorrência internacional, com crescimento das importações, especialmente de máquinas provenientes da China e da Índia, que chegam ao mercado brasileiro com preços até 27% inferiores, reduzindo a competitividade da indústria nacional. Programas de financiamento tradicionais, como o Moderfrota, também tiveram menor alcance, contribuindo para a desaceleração do setor.
Apesar desse cenário, eventos como a Agrishow continuam sendo relevantes para a geração de negócios, funcionando como termômetro do mercado e concentrando esforços comerciais. Em 2025, a feira movimentou R$ 14,6 bilhões em intenções de negócios, embora as expectativas para 2026 não tenham sido divulgadas.
A recuperação do setor dependerá fundamentalmente da melhora nas condições de financiamento e da recomposição da rentabilidade no campo. Sem avanços nessas frentes, a tendência é de manutenção de um ritmo mais lento de investimentos, com impactos sobre toda a cadeia produtiva e risco de perda de participação da indústria nacional frente ao avanço das importações.