24/Apr/2026
O conflito envolvendo o Estreito de Ormuz, vital para o comércio global, resulta em altas expressivas dos preços de fertilizantes no Brasil, Estados Unidos e Índia e atrasos na comercialização dos insumos. No caso do Brasil, de acordo com o Departamento de Economia Agrícola da Universidade de Purdue, a alta de preços e os potenciais atrasos logísticos são os efeitos mais claros. Ressalta-se a dependência nacional da ureia importada. Cerca de 30% a 40% da ureia flui pelo Estreito de Ormuz. Desde que o conflito escalou no final de fevereiro, os preços locais da ureia no Brasil saltaram cerca de 35% em duas semanas. A disrupção ocorre em um momento sensível para o produtor brasileiro, que planeja a safra de soja 2026/27, cujo plantio começa em setembro. Quando o conflito se intensificou, menos de 30% dos agricultores haviam adquirido insumos para a próxima temporada. O Brasil importa cerca de 80% de suas necessidades totais.
Diante da incerteza, os compradores passaram a buscar substitutos mais baratos, como o sulfato de amônia. O Instituto de Fertilizantes, que representa a indústria de fertilizantes nos Estados Unidos, relatou que no país o conflito coincidiu com a preparação para o plantio de primavera, que ocorre entre abril e maio. Embora os Estados Unidos produzam cerca de 90% de sua necessidade anual de amônia e 60% de ureia, a dependência sazonal de importações deixa o país vulnerável. O Brasil importou muita ureia em março, abril e maio para atender a essas necessidades sazonais. Observa-se muitas diferenças regionais quanto à capacidade dos produtores de comprar fertilizantes antes das necessidades de plantio. Na Índia, a situação é descrita como "muito crítica". Há dificuldades logísticas com navios retidos e o aumento dos custos de seguros e fretes. Para proteger os produtores, o governo indiano tem buscado alternativas como fertilizantes orgânicos e nanofertilizantes, além de reforçar subsídios para mitigar a alta dos preços internacionais de nitrogenados e fosfatados (DAP). Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.