24/Apr/2026
O transporte de contêineres por cabotagem no Brasil tem potencial para reduzir em até 8,2% as emissões líquidas de CO2 do setor de transporte de cargas, conforme estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em um cenário mais conservador, restrito a portos já atendidos por linhas regulares, a redução estimada é de 4,5%. A cabotagem apresenta menor intensidade de emissões em comparação ao transporte rodoviário, com geração média entre 12% e 15% do CO2 emitido por caminhões para o mesmo volume transportado, considerando o indicador de tonelada-quilômetro útil. O ganho ambiental e logístico depende de fatores como distância, tipo de carga e estrutura operacional das rotas. A vantagem competitiva do modal marítimo tende a se consolidar em trajetos mais longos. O ponto de equilíbrio em relação ao transporte rodoviário ocorre entre 850 Km e 1.050 Km, com maior viabilidade em percursos acima de 1.500 Km.
A análise considera cargas conteinerizáveis com origem e destino localizados a até 200 Km de portos e distâncias mínimas de 900 Km, condições que favorecem a migração para o modal marítimo. A ampliação da cabotagem pode contribuir para a redução de custos logísticos e mitigação de gargalos estruturais, incluindo acidentes, roubos de carga, avarias e congestionamentos associados ao transporte rodoviário. Atualmente, a cabotagem responde por cerca de 9% do transporte de cargas no Brasil, enquanto o modal rodoviário concentra aproximadamente 66%, evidenciando a elevada dependência das estradas. O potencial de expansão é significativo. No longo prazo, o volume de contêineres transportados por cabotagem pode quadruplicar, condicionado a investimentos em infraestrutura portuária, melhoria dos acessos aos portos, ampliação de rotas regulares, redução de burocracia e mudanças na cultura logística das empresas.
Em um cenário restrito a portos já operacionais, a movimentação pode mais que dobrar, com crescimento estimado de 163%. O estudo indica que a cabotagem deve atuar de forma complementar ao transporte rodoviário, concentrando-se em longas distâncias, enquanto caminhões mantêm papel estratégico na conexão com portos e distribuição final. A integração com ferrovias também é apontada como fator relevante para ganhos de eficiência logística. Entre os principais entraves ao avanço do modal estão questões regulatórias, com exigências documentais semelhantes às do comércio exterior, e limitações de infraestrutura, como acessos portuários inadequados e necessidade de dragagem para operação de navios. A consolidação de um sistema multimodal, combinando cabotagem, rodovias e ferrovias, é apontada como caminho para aumentar a competitividade logística, reduzir emissões e melhorar a eficiência do transporte de cargas no País. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.