23/Apr/2026
Os portos do Paraná registraram retração nas importações de fertilizantes e nas exportações de milho no primeiro trimestre de 2026, refletindo impactos do conflito geopolítico envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã sobre os fluxos comerciais e logísticos. Entre janeiro e março, o Estado importou 2,2 milhões de toneladas de fertilizantes, volume 18,5% inferior às 2,7 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025. No milho, parte da produção foi direcionada ao mercado interno, impulsionada pela maior demanda para produção de etanol em um ambiente de preços elevados de energia. A redução nos fluxos de fertilizantes e milho, somada à queda nas exportações de açúcar, resultou em movimentação total de 16,7 milhões de toneladas nos portos paranaenses no trimestre, recuo de 3,9% na comparação anual.
O açúcar perdeu participação em função da retração dos preços internacionais e do aumento dos estoques globais. Em contrapartida, a soja sustentou o desempenho logístico. As exportações de óleo de soja pelo Porto de Paranaguá totalizaram 386,3 mil toneladas no trimestre, equivalentes a 70% do volume nacional, com crescimento de 38% frente ao mesmo período de 2025. Em março, a participação atingiu 75,3%, com 135 mil toneladas destinadas principalmente à Ásia e à África. Os embarques de soja em grão alcançaram 4,6 milhões de toneladas no trimestre, representando cerca de 20% do total nacional, com alta de 12% na comparação anual.
O farelo de soja somou 1,3 milhão de toneladas, correspondente a 25,6% dos embarques do País, com destaque para março, quando foram exportadas 700 mil toneladas, mais de 30% do total mensal brasileiro. Nas importações, houve avanço em outras cargas. O malte registrou aumento de 227%, a cevada cresceu 10% e os derivados de petróleo avançaram 9% em relação ao primeiro trimestre de 2025. O desempenho indica reconfiguração dos fluxos logísticos diante de fatores externos, com redução de insumos agrícolas e maior protagonismo do complexo soja, enquanto o redirecionamento do milho para o mercado interno reflete mudanças na dinâmica de demanda energética. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.