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20/Apr/2026

Fertilizantes: preço alto afeta produtores nos EUA

A elevação dos preços de fertilizantes nos Estados Unidos, em decorrência do conflito no Oriente Médio, tem impacto heterogêneo entre produtores, variando conforme a região e o momento de aquisição dos insumos. Apesar da alta expressiva, não há percepção de risco generalizado, dado que parte dos agricultores já havia antecipado compras. Os preços da amônia anidra e da ureia registram avanços significativos em relação ao ano anterior, com altas de 39% e 48%, respectivamente. A maior parte desse movimento ocorreu após o início do conflito no fim de fevereiro, elevando substancialmente os custos para produtores que ainda não garantiram o volume necessário para a safra 2026/27. Levantamento da American Farm Bureau Federation indica que cerca de 70% dos produtores relatam não possuir capacidade financeira para adquirir todos os insumos necessários.

No Meio Oeste, principal região agrícola do país, 67% dos produtores realizaram compras antecipadas, embora aproximadamente um terço tenha iniciado a temporada sem cobertura total das necessidades. No Sul, apenas 19% garantiram fertilizantes antes do plantio, enquanto no Nordeste e no Oeste os percentuais foram de 30% e 31%, respectivamente. A alta dos insumos amplia a incerteza sobre os efeitos na produção agrícola. Avalia-se possível impacto negativo na produtividade e eventual migração de área do milho para a soja, cultura com menor demanda por nutrientes. A definição desse comportamento permanece limitada diante da complexidade dos fatores envolvidos. No Meio Oeste, o planejamento da safra ocorre logo após a colheita anterior, período em que produtores ajustam orçamento, liquidam financiamentos e contratam crédito, além de adquirirem sementes e fertilizantes. Em regiões com predominância do milho, parte relevante das decisões já foi tomada no outono do Hemisfério Norte, restando aplicações complementares no início do plantio.

Além dos fertilizantes, os custos com combustíveis, escassez de mão de obra e preços elevados de máquinas agrícolas intensificam a pressão sobre as margens, sobretudo para produtores que não registraram lucro em 2025 e não projetam resultados positivos em 2026. Esse contexto contribui para a expectativa de redução da área plantada com milho em 2026, após o recorde do ano anterior. A projeção mais recente do USDA indica 38,57 milhões de hectares destinados ao milho e 34,28 milhões de hectares à soja. Os custos mais elevados e possíveis ajustes de área já estão parcialmente refletidos nos preços futuros em Chicago. No entanto, a continuidade de restrições logísticas no Estreito de Ormuz, caso o conflito se prolongue, pode elevar adicionalmente os preços e influenciar o planejamento da safra de 2027. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.