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17/Apr/2026

Insumos: preço alto favorece adoção de bioinsumos

Segundo a Céleres, o conflito no Oriente Médio pressiona os custos de produção no campo brasileiro ao encarecer matérias-primas de fertilizantes e defensivos químicos, movimento que, ao mesmo tempo, tende a favorecer a adoção de bioinsumos como alternativa de custo. Matérias-primas para fertilizantes químicos mais correlacionadas ao petróleo registraram alta de cerca de 20% no preço de importação. Entre os principais avanços, o boro subiu 39,2%, o manganês 26,8%, o níquel 22,5% e o cobalto 16,4%, refletindo a elevação das cotações internacionais de energia e o aumento dos fretes marítimos com as restrições no Estreito de Ormuz. Alguns micronutrientes registraram queda no período, como molibdênio, com recuo de 39%, e cálcio, com baixa de 31%, reflexo de dinâmicas próprias de oferta e demanda nessas cadeias.

O movimento também atingiu defensivos. A alta média é próxima de 10% nos preços de importação de matérias-primas para agroquímicos, com destaque para o mancozebe, que avançou 29,8%, seguido por acefato, com 12,1%, metomil, com 9,8%, lactonas, com 8,5%, e glifosato, com 6,2%. Esse cenário favorece diretamente os biodefensivos, à medida que produtores buscam alternativas para reduzir o custo com agroquímicos. O conflito no Irã encarece as principais matérias-primas para a indústria de fertilizantes especiais, mas também deve aumentar a adoção de especialidades, devido à tentativa do agricultor em economizar com fertilizantes e defensivos químicos. Além do impacto sobre insumos, o cenário geopolítico também tem influenciado a comercialização de grãos. Soja e milho registraram ritmo mais lento de negócios nas últimas semanas, com a soja 2025/26 marcando 51,4% de comercialização e o milho 2ª safra de 2026 em 35,7%, ambos abaixo da média histórica para o período.

Há três vetores para a retenção: volatilidade na Bolsa de Chicago, alta dos fretes marítimos e recuo do dólar frente ao Real, que reduz o incentivo imediato à venda e leva produtores a aguardar condições mais favoráveis. Do lado da oferta global, a relação entre estoques e consumo de soja permanece confortável, enquanto o milho segue com estoques mais ajustados, o que o torna mais sensível a choques e volatilidade. Mesmo com o quadro adverso, o setor segue investindo. A Corteva expandiu seu centro de pesquisa com ampliação de 71% na capacidade de campo. A Basf concluiu a aquisição da AgBitech. A De Sangosse lançou no Brasil o Rifle, biodefensivo com ação bionematicida e biofungicida. A Mosaic inaugurou laboratório de pesquisa e desenvolvimento em Uberaba (MG), mas anunciou a paralisação das operações de fosfatados em Araxá e Patrocínio, também em Minas Gerais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.