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17/Apr/2026

Hidrogênio Verde: White Martins inaugura fábrica

Em meio à paralisação e ao atraso de projetos de descarbonização em todo o mundo, a White Martins inaugurou oficialmente nesta quinta-feira (16/04) sua segunda fábrica de hidrogênio verde no País. Trata-se da primeira instalação do gênero no Brasil em escala industrial. A outra unidade da empresa, em Pernambuco, opera comercialmente, mas tem o porte de uma planta-piloto, com uma capacidade equivalente a 25% da fábrica nova. Instalada em Jacareí (SP), a fábrica tem capacidade para produzir 800 toneladas de hidrogênio por ano. O volume de produção diário é suficiente para abastecer uma indústria de tamanho médio por até 35 dias. A previsão é de geração de 15 empregos. O hidrogênio verde, fabricado a partir da água, é uma das grandes apostas do mundo para substituir combustíveis fósseis e reduzir as emissões de carbono do planeta. O mercado é promissor para o Brasil, que pode oferecer um dos hidrogênios mais competitivos do mundo.

Isso porque, para produzir o hidrogênio limpo, é necessário um grande volume de energia elétrica, e o País tem fontes renováveis relativamente baratas, como eólica e solar. O desenvolvimento do setor de hidrogênio verde, no entanto, está travado no mundo todo por causa de seus altos custos e das políticas do presidente norte-americano, Donald Trump, contra uma economia menos poluente. O cenário geopolítico não é favorável para a instalação de fábricas destinadas à exportação de hidrogênio verde, dada a falta de procura pelo produto no mercado internacional e aos custos para enviar o combustível por navio. Plantas para abastecer o mercado doméstico, porém, devem ter demanda. O desenvolvimento do setor no Brasil vai ser mais rápido do que o esperado, já o de exportação, não. Cerca de 20% da produção da nova planta será destinada à fábrica de vidros da Cebrace, também em Jacareí. O restante será consumido por empresas metalúrgicas, químicas e de alimentos.

A White Martins tem 400 compradores de hidrogênio. Os contratos de hidrogênio verde estão sendo fechados pelos mesmos valores dos de hidrogênio cinza, que é produzido a partir de gás natural e é poluente. A empresa não está cobrando um prêmio pelo produto "verde" porque conseguiu ter um custo de produção que compete com o do hidrogênio cinza. O interesse não é cobrar prêmio agora, e sim desenvolver a indústria do hidrogênio verde do País. Entre os fatores que garantiram a competitividade desse hidrogênio verde está o fato de a companhia ter autoprodução de energia. Nesse modelo de contrato, empresas de energia renovável constroem usinas para atender terceiros, garantindo custos inferiores. No caso da fábrica de hidrogênio verde de Jacareí, a energia é solar e eólica e é produzida em parceria, respectivamente, com a Eneva e a Serena. A consultoria Thymos, especializada em energia, calcula, entretanto, que a média global do custo de produção de um quilo de hidrogênio verde esteja em US$ 7,00. Para que o produto possa competir com o hidrogênio cinza e com o gás natural, outra fonte energética importante para a indústria-, o preço teria de cair pelo menos 50%. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.