16/Apr/2026
Segundo o Itaú BBA, a alta da ureia e do fosfato monoamônico (MAP) deve continuar apertando a conta da safra 2026/27 no Brasil, num momento em que o conflito no Oriente Médio, as restrições logísticas e o encarecimento de insumos intermediários mantêm nitrogenados e fosfatados sob pressão. Março foi marcado por forte pressão nos nitrogenados e fosfatados, refletindo riscos geopolíticos, restrições logísticas e aumento do enxofre, mantendo preços elevados, enquanto os potássicos tiveram comportamento mais estável, sustentados pela oferta mais equilibrada. O foco principal continua nos nitrogenados. Esse mercado continuou em alta entre março e início de abril, impulsionado pelo conflito no Oriente Médio, que compromete parte relevante da produção e da logística em países do Golfo Pérsico, além de pressionar os custos de frete e energia. Nesse ambiente, a ureia no Brasil alcançou níveis próximos de US$ 760,00 por tonelada CFR em 10 de abril.
A combinação de oferta restrita, petróleo e gás natural em níveis elevados e maior aversão ao risco tende a manter o mercado ajustado e volátil, enquanto persistirem as incertezas sobre a duração do conflito e a normalização dos fluxos logísticos globais. Nos fosfatados, a pressão também deve continuar. O mercado atravessou um período de maior tensão e volatilidade, com impacto da guerra no Oriente Médio e da alta do enxofre, matéria-prima usada na produção de ácido sulfúrico. Os preços do enxofre no Brasil acumulam alta significativa desde fevereiro, elevando os custos de produção e limitando o espaço para recuos nos fosfatados. Nesse quadro, o MAP subiu cerca de 7% nas últimas semanas e chegou a aproximadamente US$ 890,00 por tonelada CFR no Brasil. O cenário de oferta mais ajustada, custos elevados de insumos e incerteza geopolítica tende a manter os fosfatados em patamares firmes. O efeito dessa alta já aparece na decisão de compra para a próxima safra.
Diante do aumento dos fertilizantes em decorrência do conflito no Oriente Médio e da piora da relação de troca, as compras de fertilizantes para a safra 2026/27 de soja estão estagnadas. Até o fim de março, cerca de 38% do insumo para a safra 2026/27 havia sido comercializado, ante média de cinco anos de 51%. No milho, a conta também piorou. A elevação do preço da ureia nas últimas quatro semanas seguiu piorando os níveis de relação de troca com o cereal. São necessárias 55 sacas de 60 Kg de milho para aquisição de 1 tonelada de ureia. Ao mesmo tempo, apenas 5% dos fertilizantes para a 2ª safra de 2027 haviam sido adquiridos até o fechamento de março, contra média de cinco anos de 20%. Os potássicos seguem como o segmento menos pressionado do mercado, mas sem sinal de alívio amplo para o produtor. Esse grupo seguiu apresentando maior estabilidade relativa frente aos demais, apoiado por oferta internacional mais equilibrada. Ainda assim, a demanda deve avançar de forma gradual, com preços sustentados e menor volatilidade relativa do que a observada em ureia e MAP. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.