15/Apr/2026
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) informou que são reais os riscos de a crise no Estreito de Ormuz se transformar em uma catástrofe para o sistema agroalimentar internacional. O tempo está se esgotando e os navios que transportam insumos agrícolas críticos precisam voltar a circular pela região o mais rápido possível para evitar uma disparada na inflação de alimentos ainda este ano. O Estreito permanece efetivamente fechado desde 28 de fevereiro e, embora um cessar-fogo tenha sido anunciado em 7 de abril, as embarcações ainda não estão se movimentando em número significativo. Os últimos navios que deixaram o local antes dessa interrupção estão chegando agora aos seus destinos, o que sinaliza que o verdadeiro intervalo de oferta está apenas começando a se materializar no mercado global.
A magnitude do problema é evidenciada pelo fato de que o Estreito responde por 35% do petróleo bruto mundial, 20% do gás natural e até 30% dos fertilizantes comercializados internacionalmente. Estimativas da FAO indicam que entre 20% e 45% dos principais insumos agrícolas dependem dessa rota marítima. Os preços das commodities ainda não subiram de forma expressiva porque os estoques existentes estão absorvendo o choque inicial. No entanto, se o tráfego não for retomado, as pressões nos mercados de energia e fertilizantes serão traduzidas em preços mais altos para os consumidores ao longo de 2026 e em 2027. O mundo vive uma crise de insumos e as ações governamentais nesta fase determinarão se o cenário evoluirá para uma tragédia humanitária.
A principal restrição identificada pela FAO é o calendário de safras, pois, com o início das temporadas de plantio, os agricultores terão de escolher entre absorver custos de insumos mais elevados ou reduzir a aplicação de fertilizantes, o que prejudicará a produtividade das lavouras. A FAO indica que os países precisam evitar restrições às exportações e reconsiderarem mandatos de biocombustíveis que possam encurtar a oferta global de alimentos em um momento de preços de energia em alta. A FAO sugeriu o uso de mecanismos financeiros multilaterais, como o FMI, para fornecer crédito rápido a nações de baixa renda que dependem de importações de fertilizantes e energia. Diferentemente de desastres naturais ou eventos climáticos, como o El Niño, o bloqueio de Ormuz é um fator que os governos podem e devem resolver por meio de soluções diplomáticas para evitar maiores problemas em relação à segurança alimentar global. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.