15/Apr/2026
A redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais pode gerar impacto de R$ 11,88 bilhões nos custos do setor de transporte no longo prazo. A estimativa considera os efeitos econômicos e operacionais da mudança sobre a estrutura de mão de obra e a dinâmica de funcionamento das atividades. A alteração da carga horária sem ajuste proporcional de salários implica aumento imediato de 10% no valor da hora trabalhada. No setor de transporte, onde 92,5% dos trabalhadores já operam no limite atual, o impacto direto sobre os custos com pessoal é estimado em 8,6%.
A necessidade de operação contínua no setor exige adaptações nas escalas de trabalho. Para manter o nível de atividade com jornada reduzida, a projeção indica a necessidade de contratação de aproximadamente 240 mil trabalhadores adicionais, o que amplia a pressão sobre custos e estrutura operacional. A expansão do emprego encontra limitações na disponibilidade de mão de obra qualificada. Indicadores apontam que 65% das empresas enfrentam dificuldades para contratar motoristas, com incidência de 44,6% no transporte rodoviário de cargas e de 53,4% no transporte de passageiros.
O impacto tende a ser mais intenso sobre pequenas empresas, que representam 90,5% do setor, devido à menor margem operacional. Atualmente, cerca de 47,3% do valor adicionado bruto já é destinado a despesas com pessoal, reduzindo a capacidade de absorção de novos custos. A elevação dos custos trabalhistas também pode pressionar a formalização, com risco de aumento da informalidade, apesar de o setor apresentar atualmente 92% dos trabalhadores com carteira assinada. A implementação de mudanças na jornada é condicionada à negociação coletiva, considerando as especificidades operacionais de cada segmento. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.