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09/Apr/2026

Hidrovias: governo revogou trajetória de concessões

O governo federal contrariou a trajetória de concessões que o agronegócio ajudou a construir ao revogar, em fevereiro, o decreto que incluía as hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização, após 33 dias de ocupação indígena nas instalações da Cargill em Santarém, no oeste do Pará. A crítica é do deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), durante o Seminário Lide Agronegócio, em São Paulo, ao traçar um diagnóstico para explicar o crescimento do setor nas últimas décadas. Para ele, o agro avançou porque fez escolhas estruturais por segurança jurídica, instrumentos de mercado e concessões, em vez de depender do Estado. "Era para aprofundar esse caminho, para a gente poder dar um salto em termos de logística.

Segundo o parlamentar, um dos pilares dessa trajetória foi a defesa da segurança jurídica no campo, com ênfase na proteção da propriedade, na regularização fundiária e na consolidação do Código Florestal. Jardim afirmou que, quando o setor enfrentou invasões, reagiu "sem demagogia", mostrando que a fragilização da propriedade traria danos ao País. "O agro fez uma escolha definitiva, na busca da regularização fundiária e ambiental", disse. Jardim afirmou, ainda, que o financiamento do setor deixou de depender majoritariamente dos recursos subsidiados do Plano Safra e passou a incorporar instrumentos de mercado, como Fiagro, Cédula de Produto Rural (CPR), Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCA). Segundo ele, o Plano Safra já respondeu por 100% do crédito ao setor e hoje representa cerca de 30%, mudança que atribuiu à capacidade do agro de construir alternativas. "O agro escolheu fazer uma reforma, não ficar dependendo de um governo ou dependendo de um Estado", afirmou.

Ao falar do futuro, o deputado disse que o agro consolidou um "casamento com a sustentabilidade", citando a agricultura de baixo carbono, o avanço dos bioinsumos e a integração entre bioenergia e produção de alimentos. Segundo ele, o Brasil demonstrou com base científica que a expansão dos biocombustíveis não compromete a segurança alimentar e, ao contrário, reforça cadeias de proteína animal por meio de coprodutos como farelo de milho e farelo de soja. "O Brasil mostrou que segurança energética rima com segurança alimentar", disse. Jardim defendeu que o agro ajude a estruturar um projeto nacional de desenvolvimento, acima das disputas partidárias, e criticou o tom do debate político atual. "Nós estamos vivendo um momento em que os adjetivos estão muito mais abundantes do que os substantivos", afirmou. Para ele, o Lide tem condições de costurar esse debate e levar ao governo e à oposição um conjunto de ideias que sirva de base para um projeto de País. "O agro pode ser pilar de estruturar um projeto nacional", disse. Fonte: Broadcast Agro.