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08/Apr/2026

Fertilizantes: consumo no Brasil deve cair em 2026

Segundo o Rabobank, o consumo de fertilizantes no Brasil deve recuar em cerca de 2 milhões de toneladas em 2026, refletindo os impactos do conflito no Oriente Médio sobre a oferta global e os preços dos insumos. As entregas no País são projetadas em 47,2 milhões de toneladas, abaixo das 49,1 milhões de toneladas registradas no ano anterior. O cenário é influenciado pelo fechamento do Estreito de Ormuz, que retirou volumes relevantes de insumos do comércio internacional, gerando um choque de oferta de difícil reposição no curto prazo. A região é responsável por parcela significativa das exportações globais de nutrientes, incluindo 48% do enxofre, 30% da ureia e 27% da amônia transportada por via marítima. Embora o Brasil tenha reduzido a dependência direta do Oriente Médio, que atualmente responde por 12% das importações totais, a região permanece estratégica, especialmente no fornecimento de nitrogenados.

No caso da ureia, 36% do volume importado em 2025 teve origem na região, abaixo dos 53% observados em 2021. A restrição de oferta e as incertezas logísticas impulsionaram os preços, com alta de aproximadamente 76% nos valores da ureia nos portos brasileiros entre o início de janeiro e meados de março. No mercado global, a China exerce papel relevante como fornecedora, mas mantém foco no abastecimento interno, com controle rigoroso das exportações de ureia e fosfatados. Apesar de ser autossuficiente na produção de nitrogênio e fósforo a partir de carvão, o país apresenta vulnerabilidade no fornecimento de enxofre, dependente de importações do Oriente Médio, o que sustenta preços elevados dos fosfatos. A elevação dos custos dos fertilizantes, em ritmo superior ao observado nas commodities agrícolas, deteriora a relação de troca e reduz a acessibilidade para os produtores.

O índice de acessibilidade aponta nível negativo de 0,74 em abril de 2026, com maior pressão sobre os nitrogenados. Diante desse cenário, há risco de retração generalizada da demanda, com produtores reduzindo taxas de aplicação, postergando compras ou ajustando o mix de culturas para opções menos intensivas em uso de insumos. Para os fosfatos, a expectativa é de manutenção da pressão sobre os preços até 2027, diante do encarecimento de matérias-primas como enxofre e amônia. No segmento de potássio, embora o impacto direto sobre a oferta global seja limitado, a demanda deve recuar cerca de 1%, refletindo a priorização de recursos para aquisição de nitrogenados e fosfatados em um ambiente de margens mais comprimidas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.