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08/Apr/2026

Diesel: subsídios aliviam a pressão por reajustes

Segundo o Itaú BBA, o pacote de subsídios anunciado pelo governo federal altera de forma relevante a dinâmica de precificação do diesel no Brasil, reduzindo a pressão por reajustes nas refinarias e estreitando a diferença em relação aos preços internacionais. Há redução significativa da defasagem quando considerados os incentivos ao longo da cadeia. Pelos cálculos do banco, o preço percebido pela Petrobras passaria de R$ 3,65 por litro para R$ 4,77 por litro, ao incorporar subsídios de R$ 0,32 e R$ 0,80 por litro destinados ao produtor. Do lado da demanda, a paridade de importação ajustada recuaria de R$ 6,44 por litro para R$ 4,92 por litro, após a aplicação de subsídios de R$ 0,32 e R$ 1,20 por litro ao importador. Nesse novo enquadramento, a diferença entre o preço doméstico e a referência internacional ajustada cairia para cerca de 3%, ante 43% na ausência dos subsídios.

Essa redução, na visão do banco, elimina a necessidade de reajustes imediatos sob a ótica de governança e alinhamento com o mercado internacional. Apesar do alívio na pressão de preços, a oferta de diesel importado segue como ponto de atenção. A manutenção de uma diferença residual entre os preços domésticos e a paridade internacional ainda limita a atratividade econômica para importadores independentes, o que pode restringir o volume disponível no mercado interno. O pacote também introduz condicionantes operacionais. Para acessar parte dos subsídios adicionais, a Petrobras deverá ampliar os volumes comercializados às distribuidoras, o que pode elevar a utilização das refinarias. No entanto, um crescimento mais expressivo da oferta pode exigir retomada de importações, dependendo da evolução da demanda. Nesse contexto, a elegibilidade da Petrobras aos subsídios destinados ao diesel importado surge como fator relevante para o equilíbrio do mercado, embora ainda dependa de definições regulatórias.

A ausência de clareza sobre esse ponto mantém incertezas quanto à efetividade plena das medidas. Além do diesel, o pacote contempla desonerações tributárias e subsídios em outros combustíveis. Há isenção de PIS/Cofins para biodiesel, com impacto estimado de redução de R$ 0,02 por litro no preço final, e para querosene de aviação, com redução de R$ 0,07 por litro. Também foi anunciado subsídio para importações de GLP, no valor de R$ 850,00 por tonelada, limitado a R$ 330 milhões, condicionado à comercialização ao mesmo preço do produto doméstico. O conjunto das medidas indica uma estratégia de mitigação de repasses inflacionários no curto prazo, com efeitos diretos sobre o custo do transporte e, consequentemente, sobre a cadeia agroindustrial. Ainda assim, a sustentabilidade da política dependerá do comportamento dos preços internacionais e da capacidade de garantir oferta adequada no mercado interno. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.