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07/Apr/2026

Fertilizantes: protecionismo X segurança alimentar

A elevação das tensões no Oriente Médio e as restrições às exportações por grandes players globais, como Rússia e China, estabeleceram um novo paradigma de incerteza para o agronegócio internacional nesta temporada. O bloqueio parcial e as dificuldades logísticas no Estreito de Ormuz, por onde transitam cerca de 40% das exportações mundiais de fertilizantes nitrogenados, provocaram um avanço imediato nos preços das commodities minerais e colocam em xeque a segurança alimentar em diversas regiões. Neste cenário, o mercado global de nitrogenados, essencialmente ureia e amônia, registra as maiores pressões, com o preço da ureia no Egito, uma das referências regionais, subindo 54% no último mês.

Segundo a Yara International, os agricultores em todo o mundo enfrentam agora uma forte pressão, com custos de insumos significativamente mais altos, enquanto os preços das culturas não acompanham esse movimento, o que levou a Yara a reduzir a produção em uma unidade na Índia por causa da falta de matéria-prima. O Estreito de Ormuz é o ponto central desta crise, considerando que a região do Golfo Pérsico responde por um terço da ureia e um quarto da amônia comercializadas globalmente. A Argus avalia que rotas alternativas via Omã ou Arábia Saudita teriam efeito limitado para mitigar um desabastecimento global, visto que esses países não têm infraestrutura logística para escoar os volumes que tradicionalmente dependem do Golfo.

A vulnerabilidade global é afetada por estoques de passagem baixos, estimados entre 1,4 milhão e 1,5 milhão de toneladas, que já estão sendo consumidos, forçando a busca por fontes alternativas de nitrogênio no norte da África, Nigéria, Argélia e Rússia, além de outras formas como o sulfato de amônio da China, que até o momento não sofreu restrições de exportação. O cenário de escassez reacende o debate sobre o nacionalismo de fertilizantes, com a Rússia mantendo a suspensão das exportações de nitrato de amônio e a China restringindo o comércio de fosfatados para proteger seu mercado interno. Nos Estados Unidos, cresce a pressão de associações de agricultores para que o governo revogue tarifas contra o Marrocos e a Rússia, sob o argumento de segurança alimentar nesta conjuntura de crise de oferta.

A StoneX aponta que os países continuarão com seus perfis importadores ou exportadores e que os preços devem seguir tendência de oferta e demanda global, destacando que a disponibilidade de MAP, por exemplo, é altamente dependente da Rússia (46%) e Marrocos (23%), e que a competição global pode não ser imediata em virtude da sazonalidade do plantio. A falta de nitrato de amônio russo atinge especialmente culturas que não se adaptam bem à ureia convencional, como citros e cana-de-açúcar, lembrando que 96% do nitrato importado pelo Brasil vinha da Rússia, o que ilustra a dependência global de fontes específicas e como a interrupção de um grande fornecedor provoca insegurança generalizada em cascata nos mercados.

Como alternativa imediata, indica-se o uso de ureia protegida ou sulfato de amônio da China, embora os biofertilizantes e a agricultura de precisão surjam como soluções de longo prazo. No entanto, a baixa capitalização do produtor e os problemas de acesso a crédito podem limitar o investimento nessas tecnologias. Para o futuro, a reativação de plantas locais e acordos com vizinhos, como Venezuela e Bolívia, são as principais soluções em momentos de risco para o Brasil, dada a dependência de fontes distantes, reforçando a importância de se encontrar alternativas de fornecimento especialmente em nitrogenados, onde o Oriente Médio é o grande exportador mundial. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.